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7.2.12

Uma nova era

Este conto foi originalmente publicado no Portal Teoria da Conspiração, onde tenho uma coluna (dias 1, 11 e 21 de cada mês). Ele foi publicado nas primeiras horas deste ano.


Então, este é o primeiro dia de uma nova era...

Há tempos que temos orado e esperado por uma grande mudança espiritual no mundo – mas, porque ela nunca chega?

Quando éramos crianças pequenas e inocentes, brincávamos em nossas caixas de areia... O parque nos era desconhecido, mas em nossas brincadeiras pelos pequenos montes de areia, éramos verdadeiros especialistas. Os seres a perambular em nossa volta eram ignorados, mas sabíamos o nome de cada uma das crianças a brincar conosco na areia.

Por vezes formávamos grupos, até que uns brincavam apenas entre si, e não deixavam as crianças “de fora” entrar... Por vezes até discutíamos uns com os outros, ou brigávamos: um grupo contra o outro... E os seres a nos observar, passeando pelo parque, davam gargalhadas: “São apenas crianças, têm ainda muito por conhecer”.

Mas e o que seriam nossas doutrinas religiosas senão o fruto das brincadeiras que alguns profetas encenaram em seus pequenos desertos? E o que seriam tais mandamentos senão as regras para que as crianças pudessem continuar brincando sem se ferir?

E quando uma criança se exalta e brada: “Eu conheço todas as brincadeiras do mundo!”, aqueles seres transeuntes do parque apenas comentam: “Eles ainda estão na era das caixas de areia...”.

Mas quando afinal chegará nossa vez de conhecer todo o parque a volta? Será que precisaremos realmente esperar este pequeno planeta rodear seu sol por mais um tanto de vezes? E que diferença isso faria, se nosso sol é apenas mais um grão de poeira a girar pela galáxia – e a galáxia, mais um punhado de grãos empurrados adiante pelos ventos do infinito...

E o que seria este dia, senão mais um despertar de nossa consciência, após mais um passeio pelo parque etéreo dos sonhos? E quem seriam afinal os grandes responsáveis pela instauração de uma nova era espiritual no mundo, senão nós mesmos?

Temos brincado e rolado juntos pelos montes de nossa pequena caixa de areia, e por vezes a temos tentado apanhar com as mãos – mas tal areia do deserto é como o tempo a escorrer entre os dedos, e não é possível guardar quase nada de todo esse turbilhão. Tudo o que guardamos são as brincadeiras, tudo que nos resta é continuar a brincar...

E, quem sabe, dia virá em que percebamos como fomos tolos em brincar em grupos fechados, separados uns dos outros por uma ou outra regra de um jogo que, no fim, todos nós temos jogado a tantas e tantas eras...

Que aquele que bate no peito e se sente no direito de ditar aos outros como todos os jogos têm de ser jogados, é porque ainda não aprendeu a grande brincadeira da vida: persistir em semear todos esses parques em meio ao infinito de si mesma, e observar todas essas brincadeiras que suas crianças têm brincado, até que se cansem de rolar pela areia, e se juntem aos transeuntes do parque.

Mas eis que há muitos parques no Reino, e no momento em que chegamos finalmente a um deles, há uma grande festa a nossa espera:

“Bem vindo, agora se inicia uma nova era!”


raph'11

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Crédito da foto: Roderick Chen/All Canada Photos/Corbis

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14.12.11

Tendências da fé, parte 1

Texto de Adjiedj Bakas e Minne Buwalda em "O futuro de Deus" (A Girafa) – pgs. 59 a 62. Tradução de Silmara Oliveria. As notas ao final são minhas.

Glocalização é um novo fenômeno, um derivado da crescente globalização. Estamos constatando que as ideias universais e os processos envolvidos na globalização são interpretados e absorvidos de maneiras diferentes, conforme a perspectiva e a história de cada grupo regional, cultural e religioso – isto é, no nível local [1].

Europa e Rússia
O antigo continente europeu foi o lugar onde, após a Revolução Francesa, o Liberalismo, o Humanismo e o Ateísmo começaram a evoluir. Apesar do continente ainda ser predominantemente cristão, com a maioria dos católicos romanos no sul e os protestantes no norte, as sociedades europeias são atualmente caracterizadas pelo multiculturalismo, no qual há coexistência de religiões de todas as partes do mundo, principalmente nas áreas urbanas.

Desde a Segunda Guerra Mundial, o número de cristãos oficialmente afiliados a uma igreja reduziu-se na maior parte da Europa, o que foi interpretado por várias décadas como um sinal de secularização. Mas os cientistas sociais têm uma opinião diferente sobre esse fenômeno, e o chamam de desinstitucionalização.  Frederic Lenoir, editor do Le monde des religions, escreve: “Os indivíduos ultramodernos desconfiam das instituições religiosas [...] e não acreditam mais no futuro brilhante que a ciência e a política sugerem; entretanto, ainda assim deparam com grandes questões sobre sua origem, sofrimento e morte” [2].

E assim descobrimos que, quando questionados, a maioria dos europeus indica que ainda são religiosos ou espiritualmente interessados, mas menos apegados às instituições religiosas que outrora dominavam o continente. Muitos criam sua própria religião pessoal, com elementos do Cristianismo, Paganismo, religiões do Oriente etc. [3] Isso é o que chamamos de individualização da religião.

[...] Na Rússia e em alguns países do antigo Pacto de Varsóvia, a antiga Igreja Ortodoxa Oriental está passando por uma revitalização, mas 70 anos de regras comunistas seculares tiveram sua influência, e a igreja da Rússia não está tendo a mesma força que teve na época czarista [4]. Os membros ortodoxos da Igreja Ortodoxa Russa estão em grande parte inclinados ao nacionalismo político e chauvinismo, mas a maioria dos russos não é ortodoxa e pratica uma forma mais leve e tolerante do Cristianismo Ortodoxo Oriental.

A Igreja Ortodoxa Russa é muito respeitada tanto pelos seguidores quanto por não seguidores, que a veem como um símbolo do patrimônio e da cultura da Rússia. [...] De acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisa de Opinião Pública e publicada em 2007, 63% dos entrevistados consideram-se ortodoxos russos, 6% muçulmanos e menos de 1% budista, católico, protestante ou judeu. Porém, as taxas de natalidade na Rússia são muito baixas, exceto nos grupos muçulmanos do Cáucaso, então a porcentagem de muçulmanos na sociedade russa vai aumentar nas próximas décadas [5].

Assim como muitos outros países desenvolvidos, a Rússia está testemunhando uma expansão do Neopaganismo, principalmente nas cidades grandes, como Moscou e São Petesburgo. Os elementos xâmanicos pagãos são associados à mentalidade da Nova Era, à mitologia eslava e as figuras cristãs. O Paganismo Tradicional ainda predomina em áreas siberianas remotas – o termo xamã vem das culturas turco-mongólica e tungúsica, na Sibéria [6].

Os Estados Unidos
O secularismo é muitas vezes explicado como sendo o resultado dos altos níveis de prosperidade, mas os EUA contestam essa afirmação. De acordo com o teólogo e sociólogo norte-americano Peter Berger, a explicação está principalmente no passado. O Iluminismo Europeu foi anticlerical e antirreligioso em sua essência, e o Iluminismo Norte-Americano não. Os intelectuais seculares foram, em todo o caso, muito menos importantes na América. Na Europa, o Iluminismo foi visto como uma libertação da fé, ao passo que nos EUA significava que você tinha a liberdade de seguir a fé de sua escolha.

Um fato crucial que explica o fato de a Europa (Ocidental) secular e a América religiosa terem se distanciado é o desenvolvimento divergente que aconteceu em ambos no século 19. Nos EUA, a dinâmica social foi controlada por todos os tipos de movimento religiosos dissidentes, ao passo que na Europa, o controle ficou nas mãos do movimento trabalhista. Os EUA também eram um país de imigração que recebia muitos refugiados religiosos e onde igrejas exerciam um papel importante de emancipação. Isso significava que a religião era vista de formas bem diferentes nos EUA e na Europa.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Pew Rsearch Center e publicada em 2007, 78,5% dos norte-americanos se consideram cristãos, sendo 51,3% protestantes e 23,9% católicos romanos. O segundo maior grupo é aquele dos “não afiliados”, incluindo agnósticos e ateus, que correspondiam a 16,1% em 2007. A religião nos Estados Unidos não é apenas notável por seu alto nível de aderência se comparada a outros países desenvolvidos, mas também por sua diversidade. Uma das razões é que os imigrantes se atêm ao seu passado religioso e introduzem novas igrejas no país.

Em uma pesquisa de abrangência nacional publicada em 2006, pesquisadores da Universidade de Minnesota descobriram que, apesar da crescente aceitação da diversidade religiosa, havia uma suspeita em relação aos ateus por parte de outros norte-americanos, que os classificavam abaixo dos muçulmanos, recentes imigrantes e outros grupos menores quanto ao “compartilhamento de sua visão sobre a sociedade norte-americana” [7]. Além disso, eles associavam ateus a atributos indesejáveis, como comportamento criminoso, materialismo e elitismo cultural.

Entretanto, o número de norte-americanos que se consideraram não afiliados aumentou de 14,3 milhões em 1990 para 34,2 milhões em 2008, o maior aumento entre todas as “denominações” norte-americanas [8]. Isso não significa necessariamente que os norte-americanos em geral estão ficando menos religiosos; na verdade, os religiosos estão ficando mais ligados às suas crenças. Nos EUA, a mídia e o comércio exercem um papel importante na disseminação de religião e da ética religiosa.

» Na continuação, tendências da América Latina e África.

***

[1] Um curioso exemplo da glocalização da religião são os vários artesanatos do presépio do natal católico, de acordo com a região do globo. Eu recentemente vi um presépio onde os reis magos eram nitidamente andinos, inclusive com roupas de região do Peru.

[2] Há uma espécie de raciocínio “8 ou 80” entre alguns anti-teístas que supõe que qualquer um que não seja filiado há uma igreja, ou que não se declare um “religioso praticante”, seja automaticamente ateu. De certa forma eles têm razão, se considerarmos o ateísmo em sua origem antiga, como uma contestação das doutrinas eclesiásticas oficias... Mas não quer dizer que não creiam mais em Deus, e muito menos que não pratiquem a espiritualidade há seu próprio modo.
Enfim, o Barão de Telve (F.P.) talvez tenha resumido melhor a questão: “Não posso aceitar Jeová, nem a humanidade. Cristo e o progresso são para mim mitos do mesmo mundo. Não creio na Virgem Maria nem na eletricidade.”

[3] Por isso que sempre digo: minha religião é meu pensamento. Para os que consideram isso um egocentrismo, respondo prontamente: Deus é nosso amor. E como poderia ser de outra forma?

[4] Um dos tantos erros graves do comunismo e secularismo conforme praticado na Rússia, como em outros locais do globo, foi pretender eliminar a religião da vida das pessoas, quase como se fosse uma espécie de “ópio para o povo”; Quando ela é muito, muito mais do que uma generalização apressada ad absurdum.

[5] É quase unanimidade entre os pesquisadores da área que o Islã ultrapassará o Cristianismo como um todo em uma ou duas décadas, conforme já ultrapassou o número de católicos no mundo (porém devemos lembrar que o próprio Islã é dividido em vertentes, como os sunitas e xiitas). Como seu crescimento se dá sustentado em altas taxas de natalidade, também será a religião com maior número de jovens do globo (se é que já não é hoje).

[6] O Xamanismo é o exemplo mais antigo da glocalização religiosa no mundo, pois surgiu, sabe-se lá como, em inúmeros pontos do globo, ainda na transição da pré-história para a era atual; Sendo ainda hoje praticado de forma muito parecida por inúmeros povos, primitivos e modernos, em todo o mundo. Claro que, entre os indígenas, o xamã é em realidade o pajé, e assim por diante – mas todos esses termos têm essencialmente o mesmo significado.

[7] Seria tão bom se não houvesse esse deus-barreira se interpondo entre crentes e descrentes. Muito melhor incluir um Deus Cósmico em seu lugar, um Deus que é, sobretudo, amor e conexão. Mas para isso ainda faltará uma “abertura de consciência” mais abrangente no mundo, a glocalização do amor.

[8] Ação e reação, diriam alguns...

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Crédito das imagens: [topo] Andrej Rublev/Corbis (Arcanjo Miguel); [ao longo] Creation Museum (Adão e Eva).

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13.12.11

Nova Damanhur

Em 1992 a polícia italiana foi deslocada para o sopé do vale Valchiusella, 50Km ao norte de Turim, para investigar um possível crime de evasão fiscal de uma comunidade que ali vivia. Era já a segunda visita, e os policiais suspeitavam de que algo estava sendo construído no subterrâneo, sob o vale. Eles deram um ultimato: “Se não nos levarem até os túneis, vamos dinamitar toda a encosta até encontrar alguma coisa”.

Para os membros da comunidade, não restou outra alternativa que não levar os policiais até uma “porta secreta” num dos lados de uma casa da região... Uma vez aberta, aos polícias incrédulos revelou-se uma sala subterrânea de 8 metros de diâmetro suportada por colunas esculpidas e revestidas com folhas de ouro. As paredes estavam cobertas por pinturas de cores exuberantes; vitrais e uma imensa claraboia central derramavam luz multicolorida por todo o lado. Encontravam-se na Sala da Terra, apenas a primeira de um complexo arquitetônico de nove espaços que compõem Damanhur.

Tudo havia começado ainda na década de 60, quando Oberto Ariaudi, conhecido como Falco (Falcão), ainda criança começou a ter sonhos extremamente realistas de estranhos templos sagrados de civilizações há muito esquecidas, assim como de uma estrutura social bem distinta de nossa sociedade ocidental moderna. Seria apenas mais um dentre tantos casos de crianças que se lembram de vidas passadas (e, eventualmente, esquecem), não fosse pela persistência de Falco em tornar os seus sonhos realidade...

Com uma carreira consolidada de corretor de seguros, e mais 24 amigos e colaboradores que partilhavam de sua visão de uma nova sociedade, Falco fundou Damanhur, que na verdade é o nome de uma cidade do antigo Egito que existe até hoje [1], e começou a cavar... Cavar, cavar, e construir estruturas quase além da imaginação.

Quando foram descobertos, em 1992, pensaram que seria o fim: a primeira ordem das autoridades italianas foi para que tudo fosse parado até segunda ordem, já que se tratava de uma construção ilegal. Falco temeu que mandassem destruir tudo, mas então os governantes da região pensaram duas vezes, e perceberam que aquilo poderia auxiliar em muito a dinamização do turismo regional. Não só permitiram que Damanhur continuasse “de pé”, mas eventualmente foram liberados para continuar a construir mais e mais, para debaixo das montanhas de Valchiusella.

Hoje a Federação de Damanhur é um “experimento social para o futuro da humanidade”, e já conta com mais de mil moradores, dentre milhares de outros colaboradores que não vivem no local. Os Templos da Humanidade, como são chamados, comportam um complexo de templos interligados imenso e magnífico. São 300.000 m3 de salas e galerias de uma arquitetura grandiosa, interligadas em cinco níveis situados 30m abaixo da superfície, e profusamente decoradas com esculturas, pinturas, mosaicos e vitrais narrando à história da humanidade. Acima da terra, a comunidade já conta com sua própria universidade, escolas, mercados orgânicos, fazendas e casas ecológicas ganhadoras de prêmios.

Damanhur também têm sua própria constituição, que é revisada de tempos em tempos (atualmente é usada a de 2007), além de uma peculiar estrutura de “comunidades familiares” de 200 a 220 membros que se dedicam a uma atividade em particular. Tais atividades podem variar de pesquisas filosóficas e práticas espiritualistas até a pesquisa científica por novas soluções ecológicas, como o uso de energia eólica, por exemplo. Toda a estrutura da comunidade é dividida em 4 grandes “escolas”: a Escola de Meditação se fundamenta na tradição ritualística; A Escola Social se foca na realização da sociedade como um todo; O Jogo da Vida trata da parte dinâmica e em constante renovação da vida; Já a Tecnacarto, a mais recente, trata da realização individual e autoconhecimento.

Uma das máximas da constituição damanhuriana diz assim: “Da criação da tradição compartilhada, da cultura compartilhada, da história compartilhada, da ética compartilhada, as pessoas nascem”... E isso não ficou apenas na teoria, hoje Damanhur conta com a terceira geração de pessoas, ou seja: os netos dos primeiros damanhurianos que nasceram já dentro da comunidade, ainda na década de 70.

E pensar que no final do século 19 chegou-se a pensar que a religião e a espiritualidade entrariam em franco declínio, cedendo lugar a nova era da razão... Até mesmo ainda hoje, há muitos que creem que novas religiões não são formadas, e que toda a tradição religiosa remete a doutrinas milenares. De certa forma estão certos, pois uma seita recém criada só adquire o “status” de religião após aproximadamente um século, mas dito isso, o que não falta nessa verdadeira Nova Era são religiões e comunidades autossustentáveis surgindo a torto e a direito, seja aqui no Brasil, seja no Japão, seja nos Alpes italianos [2].

Você pode até achar irracional muitas das crenças de Nova Era, pode até achar confuso como tantas seitas diversas podem ter tantos pontos de crença em comum; Pode, sobretudo, achar absurdo que uma comunidade de mais de um milhar dedique suas vidas inteiras a construção do sonho de uma criança... Mas o que não poderá negar é o próprio assombro no olhar, ao constatar o que o sonho humano é capaz de construir – a Nova Damanhur.

Clique nas imagens abaixo para abrir em tamanho maior:

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Veja também:

» Tour vitual pelos Templos da Humanidade (clique nos Thumbnails ou no Mapa para ir avançando)

» Vídeo da Sala dos Espelhos (Hall of Mirros)

» Trailer do filme Sonhos de Damanhur (Dreams of Damanhur)

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[1] No antigo Egito a cidade era conhecida como Timinhor, "a cidade de Hórus". Na época ptolemaica a cidade era denominada Hermópolis Parva, para à distinguir de Hermópolis Magna, sendo a capital do 7º nomo do Baixo Egito (o nomo do "Arpão Ocidental"). Segundo o mito, o deus Toth seria oriundo deste local. Durante a Idade Média, a cidade tornou-se próspera devido a estar situada entre a rota de caravanas que passava entre o Cairo e Alexandria. Em 1302 foi destruída por um terremoto, mas foi restaurada pelo califa mameluco Barquq no final do século XIV. Segundo o próprio Falco, em uma de suas supostas vidas passadas ele teria vivido na antiga Damanhur. Outra curiosidade é que os Templos da Humanidade foram construídos em um dos locais da região em torno de Turim onde passa uma linha de Ley.

[2] Para um estudo elaborado do presente e futuro da espiritualidade humana, recomendo ler o livro “O futuro de Deus” (Bakas e Buwalda), publicado no país por A Girafa.

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Crédito das imagens: Divulgação (Tour virtual; Damanhur no Facebook; Artigo do Daily Mail)

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5.5.09

2012: Nova data marcada

Os céticos sempre reclamam que as revelações do fim dos tempos nunca estabelecem uma data marcada. Já outros defendem que o fato de várias civilizações no mundo terem apresentado narrações apocalípticas sugere que estas têm uma origem comum e ancestral (supostamente revelada ao homem por um ser dotado de inteligência superior, entre outras teorias) que foi sendo deturpada pela transmissão oral. Esta visão assume, por vezes, um carácter ecológico, ao propor que a mensagem do apocalipse se refere à capacidade que o homem civilizado tem para destruir o mundo.

A literatura apocalíptica tem uma importância considerável na história da tradição judaico-cristã-islâmica, ao veicular crenças como a ressurreição dos mortos, o dia do Juízo Final, o céu, o inferno e outras que são ali referidas de forma mais ou menos explícita. O Apocalipse de João, último livro da Bíblia, apresenta a previsão para o fim dos tempos, numa forma de escrita que ironicamente lembra em muito a mitologia pagã. A maior parte do livro é escrita em linguagem simbólica, e, por isso, dá margem a diversas interpretações pelos diversos segmentos cristãos.

Em 130 d.C. Justino, o Mártir acreditava que Deus estaria a atrasar o fim do mundo porque desejava que o Cristianismo se tornasse uma religião mundial. Por volta do Século III a maioria dos professos cristãos acreditava que o fim dos tempos ocorreria depois de suas mortes. Em 250 d.C. Cipriano, Bispo de Cartago, escreveu que os pecados dos cristãos eram um prelúdio e prova de que o fim dos tempos estava próximo. Alguns, recorrendo às Tradições Judaicas, fixaram o fim das eras na Sexta Idade do Mundo. Usando este sistema, o fim foi anunciado para 202 d.C. mas, quando esta data passou, foi fixada uma nova data. Na época de Clóvis I, considerado o fundador da França e que se converteu ao catolicismo após ser entronizado como rei em 481 d.C., alguns escritores católicos haviam apresentado a idéia de que o ano 500 d.C marcaria o fim do mundo. Depois de 500 d.C., a importância e a expectativa da vinda do fim do mundo ou das eras como parte dos fundamentos do Cristianismo foi marginalizada e gradualmente abandonada. Apesar disso, surgiu um temporário reavivamento dos temores relacionados com o fim dos tempos com a aproximação do milésimo ano do nascimento de Cristo. Muitos acreditavam na iminência do fim do mundo ao se aproximar o ano 1000... Pode-se perceber aqui um padrão. De fato, há relatos de comoção popular ante a iminência do fim dos tempos em praticamente todo final de século desde a época de Jesus. Mais recentemente, a última promessa que tivemos de um "grande desastre mundial" foi chamada de Bug do milênio, e apesar de ter sua base em argumentos lógicos, acabou não passando de mais uma previsão que não se cumpriu (o bug foi praticamente inofensivo).

Os céticos poderiam então pensar que estavam livres desse tipo de previsão por praticamente mais um século, mas não foi o que ocorreu. A última "moda" em apocalipse se chama "2012":

Em diversas culturas ancestrais o ano de 2012 é marcado nos calendários como o “apocalipse”, o “fim do mundo”, “o juízo final”, “o fim de um ciclo” e, nos mais otimistas, “o ano em que esta era terminará e outra, melhor, será iniciada”. Maias, Egípcios, Celtas, Hopis, Nostradamus e diversos profetas, Chineses e Budistas, WebBots, Cientistas e Religiosos das mais diferentes crenças afirmam que algo extraordinário ocorrerá em nosso planeta em 2012 (ou antes). Nunca antes uma data foi tão importante para muitas culturas, para muitas religiões, cientistas e governos.

Na cosmologia Maia, há 5 grandes ciclos, cada um com cerca de 5.125 anos. Quatro já passaram. " Os 4 ciclos anteriores terminaram em destruição. A profecia maia do juízo final refere-se ao último dia do 5º ciclo, ou seja, 21 de dezembro de 2012." diz Steven Alten. Portanto o 5 e atual ciclo também terminará em destruição. O que irá desencadeá-la? A resposta pode estar em um raro fenômeno cósmico que os maias previram a mais de 2.000 anos. "A profecia maia para 2012 baseia-se em um alinhamento astronômico. Em dezembro de 2012, o sol do solstício vai se alinhar com o centro de nossa galáxia. É um raro alinhamento cósmico. Acontece uma vez a cada 26.000 anos" diz John Major Jenkins, autor do livro Maya Cosmogenese 2012.

A cada 26.000 anos o sol se alinha com o centro da Via Láctea. Ao mesmo tempo ocorre outro raro fenômeno astrológico, uma mudança do eixo da terra em relação a esfera celeste. O fenômeno se chama Precessão. A data exata disto tudo é 21 de dezembro de 2012. "A Terra oscila lentamente sobre seu eixo mudando nossa orientação angular em relação a galáxia. Uma precessão completa leva 26.000 anos." diz John Major Jenkins.

O texto dos últimos três parágrafos (destacados em itálico) foi retirado do site porque2012.com, que tem uma extensiva quantidade de informações acerca do assunto. Veja a continuação do texto aqui.


Pois bem, então temos uma nova data marcada para o fim dos tempos... E dessa vez vem "respaldada" por diversas profecias e, mais especificamente, pelo que previu o calendário maia. Não quero aqui discutir a relevância de tais previsões, quero entrar em uma área mais profunda de análise: será que por "apocalipse" devemos entender realmente um "fim do mundo", ou mesmo uma mudança brusca e radical em nosso sistema de existência?

Muitos católicos rejeitam a idéia do "fim do mundo", sendo que para eles, a expressão apenas indica um estado de mudança das atuais condições do mundo para condições novas, tal como o mundo já teria sofrido outras metamorfoses no passado. Interpretam a passagem do Evangelho de João, no capítulo 14, versículo 12: "Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai." como um sinal de constante desenvolvimento e aperfeiçoamento infinito do homem.

Se os católicos moderados são perfeitamente capazes de compreender que a Bíblia, e especificamente o Apocalipse, são livros em sua maior parte escritos em linguagem simbólica, cheios de metáforas comuns a tantos tratados espirituais da humanidade, porque temos a necessidade de criar tanta comoção em torno de um fim do mundo literal, sempre que uma data em específico se aproxima? Seria porque alguns de nós estão cansados do mundo? Seria porque esperamos que "Deus desça e mude o mundo para nós"?

Dentro das teorias espiritualistas reencarnacionistas, temos a distinta idéia de que os seres espirituais vem e vão deste mundo, como gostas de chuva que caem e depois evaporam de volta aos céus. Segundo esse preceito, é necessário que os seres espirituais vivam inúmeras vidas, interpretem inúmeros papéis de si mesmos, para que apurem lentamente sua moral, seu amor e seu conhecimento. A palavra de ordem, nesse caso, se chama gradualmente: nada no universo ou na natureza opera de maneira brusca, radical, do dia para a noite. Assim como foram necessários milhões de anos para a formação da vida na Terra, não foi do dia para a noite que os seres se tornaram conscientes, e não será do dia para a noite que uma nova era de moral, amor e sabedoria se estabelecerá pela Terra.

Sob esse ponto de vista, de certa forma "2012", ou a chamada Nova Era, iniciaram-se a muito tempo, provavelmente na Revolução Francesa. Ou acaso achamos que os princípios universais, que a liberdade, a igualdade e a fraternidade (da frase de Russeau) estão desde aquela época instaurados no mundo? Claro que não... A evolução moral da humanidade opera lentamente, a passos de tartaruga talvez, mas sempre à frente. Analisando dessa forma abrangente, talvez não tenhamos a expectativa de um fim do mundo repentino e, quem sabe, mais "excitante"... Mas nossa análise moderada talvez se aproxime muito mais da realidade, do que afinal observamos na natureza e no avanço das sociedades.

Existiram decerto civilizações que "sumiram do mapa" de forma brusca. Mas não podemos dizer que isso foi obra do acaso ou da natureza: isso foi antes de tudo obra da ignorância do próprio homem, que sempre exterminou a si mesmo nesse mundo, em busca de riquezas ou de satisfazer teologias tolas... No entanto hoje estamos globalizados. Hoje somos forçados a ver o mundo de forma abrangente. Não podemos mais aceitar que o fim do mundo previsto para um povo será o fim dos tempos de todos nós. Assim como não podemos mais aceitar que Deus traga revelações apenas para um povo, e não para todos nós que aqui estamos. Deixemos a natureza seguir o seu curso. O nosso "fim do mundo" sempre decorreu de nossa ignorância da natureza e da teia que encadeia todos os acontecimentos, não apenas aqui, mas em todas as moradas do universo.

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O início do artigo contém textos retirados diretamente da Wikipedia.

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Crédito da foto: reinaldo_sjc

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