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2.1.24

Lançamento: Vidas Secas, a obra-prima de Graciliano Ramos

As Edições Textos para Reflexão retornam a literatura nacional com a obra-prima de Graciliano Ramos.

Com a sua narrativa intimista de uma família de retirantes do sertão nordestino, o autor traz um retrato brutalmente realista da vida dos homens do campo no início do século 20, que já se viam quase que arrastados para a vida nas cidades, visto que era cada vez mais difícil sobreviver às secas. A sua leitura é uma verdadeira experiência literária: quase podemos sentir o calor do sertão irradiando de suas palavras.

Vidas Secas já está disponível na Amazon, em e-book:

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13.9.21

Minha tradução de 1984 publicada pela Faro Editorial

Em 2020 eu vendi três das minhas traduções à Faro Editorial e me tornei definitivamente um tradutor profissional. Este ano negociei mais uma das minhas traduções com a Faro, o célebre 1984 de George Orwell.

Logo abaixo trarei imagens da edição, que já foi lançada. Eu não recebo direitos autorais pela venda do livro, pois a negociação de uma tradução se dá por um pagamento único, como a venda de um produto mesmo. No entanto, caso vocês o comprem na loja da Amazon utilizando o link abaixo, eu ganharei uma comissão praticamente equivalente à parte que um autor leva de direitos autorais :)

Eis as imagens do livro:

Comprar 1984 na Amazon

***

Obs.: 1984 foi publicado pelo selo Avis Rara, da Faro Editorial.

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30.7.21

Orwell e Huxley, os mestres da distopia

Neste vídeo vamos comparar as duas obras distópicas mais lidas desde o seu lançamento no século passado: "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, e "1984", de George Orwell. Veremos como, embora possa não parecer à primeira vista, tais obras guardam similaridades importantes, apesar de uma focar exclusivamente no campo político, enquanto a outra também abre espaço para uma reflexão aprofundada da espiritualidade humana. Afinal, Huxley também foi um perenialista.

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2.2.21

O ano em que virei tradutor profissional

Muitos aqui devem saber que tenho trabalhado há alguns anos com tradução, edição e autopublicação de e-books e livros impressos na Amazon e outras lojas. Bem, para quem não sabe, ou não conhece a história toda, ela está bem relatada noutro texto aqui do blog, O ano em que virei editora.

Pois bem, ocorre que até pouco tempo atrás eu talvez nem pudesse ser considerado um tradutor profissional, mas sim alguém que traduzia por hobby. Isso mudou. Mudou não somente porque com o advento da pandemia de COVID-19 as vendas de e-books deram um salto, e eu passei a conseguir viver somente disso, mas também, e talvez o mais importante nesse caso, pelo fato de eu ter sido procurado por uma editora para vender minhas traduções!

Sim, após tanto enviar meus originais para diversas editoras ao longo de anos e anos, calhou de eu ser publicado por uma delas sem nem precisar ir atrás dos seus editores: foram eles que vieram “bater a porta” da minha caixa de e-mail.

É claro que fui publicado não como autor, e sim como tradutor, mas fato é que hoje também estou presente em estantes de livrarias físicas, não somente em lojas virtuais.

Ao longo do ano passado (2020) eu vendi três das minhas traduções à Faro Editorial. Duas delas já foram publicadas: O Pequeno Príncipe (de Antoine de Saint-Exupéry), ainda em 2020, e A Revolução dos Bichos (de George Orwell), no início deste ano. Quanto à terceira tradução, ainda não foi publicada, e não posso revelar qual é.

Logo abaixo trarei imagens de ambos os livros. Eu não recebo direitos autorais pela venda deles, pois a negociação de uma tradução se dá por um pagamento único, como a venda de um produto mesmo. No entanto, caso vocês os comprem na loja da Amazon utilizando os links abaixo, eu ganharei uma comissão praticamente equivalente à parte que um autor leva de direitos autorais :)

Eis as obras:

O Pequeno Príncipe

Comprar O Pequeno Príncipe na Amazon

A Revolução dos Bichos

Comprar A Revolução dos Bichos na Amazon

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Obs.: A Revolução dos Bichos foi publicado pelo selo Avis Rara, da Faro Editorial.

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1.10.20

Traduzindo Orwell: 1984

No primeiro dia de 2021 entra em domínio público em todo o planeta (exceto os EUA) toda a obra de Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo seu célebre pseudônimo: George Orwell.

Orwell foi um peso pesado da literatura do século XX, e duas de suas obras são best-sellers praticamente eternos: 1984 e A Revolução dos Bichos. Desde o início de Maio deste ano eu tenho me dedicado a traduzir ambas. A última, uma tradução consideravelmente mais curta, foi finalizada há algumas semanas, e recentemente eu finalmente dei início à tradução da primeira.

Sim, é isso mesmo: neste momento eu, Rafael Arrais, estou no início da tradução de 1984. É importante deixar isso divulgado aqui, pois tenho certeza de que não serei o único a publicar traduções de Orwell ano que vem, seja na Amazon ou nas outras plataformas de autopublicação.

Se tudo correr bem, as Edições Textos para Reflexão iniciarão o ano que vem em grande estilo, com lançamentos das traduções das obras já citadas em versão digital e impressa [1]; além de, pela primeira vez na história da editora, estarmos preparando um lançamento na própria língua inglesa. Quem viver verá!

Na sequência, trago um trecho da minha tradução de 1984:


Parte 1, Capítulo 1

[...] Winston despertou de seus devaneios e se acomodou melhor na cadeira. Soltou um arroto. Era o gim em seu estômago começando a subir.
Seus olhos voltaram a focar a página. Constatou que durante o tempo em que esteve ali sentado em devaneios, sentindo-se só e desamparado, havia continuado a escrever, numa espécie de ação automática. E já não era mais a letra pequenina e desajeitada de antes. A sua pena havia deslizado como uma libertina através do papel macio, escrevendo em letras grandes e nítidas:

ABAIXO O GRANDE IRMÃO
ABAIXO O GRANDE IRMÃO
ABAIXO O GRANDE IRMÃO
ABAIXO O GRANDE IRMÃO
ABAIXO O GRANDE IRMÃO

Muitas vezes. Elas preenchiam a metade de uma página.
Ele não conseguiu deixar de sentir uma pontada de pânico. Era absurdo, já que ter escrito aquelas palavras não era nada mais perigoso do que o próprio ato de iniciar um diário; mesmo assim, por um momento, teve a tentação de rasgar as páginas já escritas e abandonar por completo aquela ideia toda.
Não o fez, porém, porque sabia ser algo inútil. Quer tivesse ou não tivesse escrito ABAIXO O GRANDE IRMÃO, era algo inteiramente irrelevante. Não fazia a menor diferença prosseguir ou não com aquele diário. A Polícia do Pensamento o descobriria de um jeito ou de outro. Ele havia cometido – ainda que não tivesse escrito nada no papel – o crime essencial, que englobava todos os demais dentro de si. Era chamado de pensamento-crime. O pensamento-crime não era algo que pudesse ser ocultado indefinidamente. Seria possível escondê-lo durante algum tempo, às vezes por anos a fio, no entanto mais cedo ou mais tarde o criminoso sempre era pego.
E era sempre à noite – as prisões invariavelmente ocorriam à noite. A interrupção súbita do sono, a mão bruta sacudindo o ombro, as luzes cegando os olhos, o círculo de rostos impiedosos em torno da cama. Na grande maioria dos casos não havia julgamento, nem mesmo o registro da prisão. As pessoas simplesmente desapareciam, sempre durante a noite. Seus nomes eram removidos dos registros, todas as menções a qualquer coisa que tivessem realizado eram apagadas, suas existências anteriores eram negadas e logo mais totalmente esquecidas. Você era abolido, aniquilado: VAPORIZADO era o termo corriqueiro.
Por um momento, Winston foi tomado por um ataque de histeria. Assim, foi logo escrevendo, em garranchos apressados:

me darão um tiro que isso me importa me darão um tiro na nuca não me importa abaixo o grande irmão eles sempre atiram na nuca não me importa abaixo o grande irmão...

Ele se recostou outra vez na cadeira, ligeiramente envergonhado de si mesmo, e largou a pena. Logo em seguida levou um susto imenso. Batiam na sua porta.
Já?! Ele permaneceu sentado, imóvel como um rato, esperando que a pessoa fosse embora sem insistir. Mas não, bateram outra vez. Seria ainda pior se atrasar para atender. Com seu coração batendo tal qual um tambor – mas com o rosto provavelmente sem expressão alguma, fruto do velho hábito – ele se levantou e se dirigiu à porta, pé ante pé.

(tradução de Rafael Arrais)


***

[1] Infelizmente será praticamente impossível finalizar a longa e desafiadora tradução de 1984 até o início de 2021, mas espero publicá-la até a metade do ano, possivelmente ainda no primeiro trimestre. Já a minha tradução de A Revolução dos Bichos será lançada logo no início de 2021.

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20.5.20

Traduzindo Orwell: A Revolução dos Bichos

No primeiro dia de 2021 entra em domínio público em todo o planeta (exceto os EUA) toda a obra de Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo seu célebre pseudônimo: George Orwell.

Orwell foi um peso pesado da literatura do século XX, e duas de suas obras são best-sellers praticamente eternos: 1984 e A Revolução dos Bichos. Desde o início de Maio deste ano eu tenho me dedicado a traduzir ambas, iniciando pela segunda.

Sim, é isso mesmo: neste momento eu, Rafael Arrais, estou no início da tradução de A Revolução dos Bichos. É importante deixar isso divulgado aqui, pois tenho certeza de que não serei o único a publicar traduções de Orwell ano que vem, seja na Amazon ou nas outras plataformas de autopublicação.

Se tudo correr bem, as Edições Textos para Reflexão iniciarão o ano que vem em grande estilo, com lançamentos das traduções das obras já citadas em versão digital e impressa; além de, pela primeira vez na história da editora, estarmos preparando um lançamento na própria língua inglesa. Quem viver verá!

Na sequência, trago um trecho da minha tradução do primeiro capítulo de A Revolução dos Bichos com comentários exclusivos (não vão constar na edição final):


1.

O sr. Jones, da Chácara do Solar [1], havia fechado o galinheiro para a noite, mas estava bêbado demais para lembrar de fechar as portinholas das galinhas. Com a luz da sua lanterna bamboleando de um lado para o outro, ele atravessou o pátio cambaleante, arrancou as botas ao atravessar a porta dos fundos, engoliu um último copo de cerveja do barril da copa e fez o caminho até a cama, onde a sra. Jones já roncava.
Assim que as luzes do quarto foram apagadas, houve um agito e um bater de asas em todos os galpões da chácara. Ao longo do dia correra o boato de que o velho Major (um porco que já havia sido premiado em exposições) tivera um sonho estranho na noite anterior, e gostaria de falar dele aos outros animais. Havia sido combinado que todos deveriam encontrar-se no grande celeiro assim que o sr. Jones tivesse se recolhido. O velho Major (assim eles o chamavam, apesar de haver concorrido nas exposições com o nome de “Belo de Willingdon”) era tão respeitado na chácara que todos estavam dispostos a perder uma hora de sono para poder ouvir ao que ele tinha a dizer.
Ao fundo do celeiro, sobre uma espécie de estrado de madeira, o Major já se encontrava deitado em sua cama de palha, sob a luz de um lampião atado a uma das vigas. Ele já contava os seus doze anos de idade e ultimamente havia se tornado um tanto corpulento, mas ainda assim permanecia sendo um porco de porte majestoso, com um ar sábio e benevolente, mesmo que as suas presas jamais tenham sido cortadas. Em pouco tempo os outros animais começaram a chegar e se alojar confortavelmente, cada um ao seu modo.
Primeiro chegaram os três cachorros, Bluebell, Jessie e Pincher, e logo após vieram os porcos, que se sentaram na palha em frente do estrado. As galinhas se empoleiraram no peitoril das janelas, as pombas voaram para as vigas do telhado, as ovelhas e as vacas permaneceram atrás dos porcos ruminando. Os dois cavalos de tração, Cascudo [2] e Margarida [3], chegaram juntos, andando bem vagarosamente e acomodando no chão seus enormes cascos peludos (com todo cuidado, de modo a não pisar em nenhum pequeno animal que pudesse estar oculto dentre a palha). Margarida era uma égua corpulenta, matronal, já próxima da meia-idade, cujas curvas jamais voltaram ao que haviam sido após o nascimento do seu quarto portinho. Cascudo, por sua vez, era um bicho enorme, com quase dois metros de altura, tão forte quanto dois cavalos comuns. Uma mancha branca que atravessava o seu focinho lhe conferia um certo ar de estupidez; e de fato ele não era lá tão esperto, no entanto era por todos respeitado devido a sua retidão de caráter e a sua tremenda disposição para o trabalho. Depois dos cavalos vieram Muriel, a cabra branca, e Benjamim, o asno.
Benjamim era o animal mais velho da chácara, e o mais ranzinza. Ele raramente se pronunciava, e mesmo quando o fazia, geralmente era para dizer alguma coisa cínica – por exemplo, ele dizia que Deus havia lhe dado uma cauda para que pudesse espantar as moscas, mas ele preferia que não houvesse nem cauda e nem moscas. De todos os demais animais da chácara, era o único que nunca ria. Quando lhe perguntavam por que, ele dizia que não via nenhum motivo para rir. Em todo caso, ainda que não admitisse abertamente, ele nutria certa afeição por Cascudo; eles geralmente passavam os domingos juntos no pequeno porteiro além do pomar, pastando lado a lado sem jamais dizerem uma palavra.
Os dois cavalos mal haviam se acomodado quando uma ninhada de patinhos órfãos adentrou o celeiro, todos eles piando baixinho e se aventurando pelos cantos, buscando um local onde não corressem o risco de serem pisoteados. Finalmente, Margarida ofereceu a proteção da sua pata dianteira, e em torno dela os patinhos se aconchegaram, logo caindo no sono. No último instante, Mollie, a bela e tola égua branca que puxava a charrete do sr. Jones, adentrou o recinto se locomovendo com toda graciosidade, enquanto mastigava um torrão de açúcar. Ela pegou um lugar bem à frente e ficou saracoteando com sua crina branca, na esperança de chamar atenção para as fitas vermelhas que a enfeitavam. Após todos os demais veio a gata, que buscou, como sempre fazia, o local mais morno, até enfim se enfiar entre Cascudo e Margarida; lá ela ronronou satisfeita ao longo de todo o discurso do Major, sem ouvir uma só palavra de tudo o que disse.
Agora todos os animais estavam presentes, exceto Moisés, o corvo domesticado, que dormia lá fora num poleiro atrás da porta dos fundos. Quando Major percebeu que todos já se encontravam bem acomodados e aguardando atentamente, limpou sua garganta e iniciou:

“Camaradas, todos vocês já ouviram algo a respeito do sonho estranho que eu tive a noite passada. Mas falarei sobre ele mais tarde. Antes, tenho outra coisa a dizer. Eu não creio, camaradas, que estarei entre vocês por muito mais estações, e antes que eu morra, sinto ser minha obrigação passar a todos vocês a sabedoria que adquiri por todo esse tempo. Sim, eu tive uma longa vida, e tive muito tempo para refletir enquanto permanecia só em meu chiqueiro; assim, hoje eu creio que posso dizer que compreendo a natureza da vida nesta terra tão bem quanto qualquer outro animal vivo. É sobre isso que eu quero lhes falar.
Então, camaradas, qual é a natureza dessa vida que levamos? Não vamos ignorar a realidade: nossa vida é miserável, curta e cheia de trabalho. Nós nascemos, recebemos o tanto de alimento minimamente necessário para que possamos continuar respirando, e aqueles que são capazes são forçados a trabalhar até o último pedaço de suas forças; e assim, no instante em que nossa utilidade acaba, somos abatidos com monstruosa crueldade. Nenhum único animal em toda a Inglaterra conhece o significado da felicidade e do lazer após completar um ano de vida. Nenhum animal na Inglaterra é livre. A vida de um animal é feita de miséria e escravidão: essa é a dura verdade.
Mas seria tudo isso simplesmente parte da ordem da natureza? Será esta nossa terra tão pobre que não possa ofertar uma vida mais decente aqueles que a habitam? Não, camaradas, mil vezes não! O solo inglês é fértil, o seu clima é bom, e ele é perfeitamente capaz de dar comida em abundância a um número de animais muitíssimo maior do que os que vivem aqui hoje. Só a nossa chácara comportaria uma dúzia de cavalos, umas vinte vacas, quiçá centenas de ovelhas – e todos eles vivendo em um nível de conforto e dignidade que agora se encontra praticamente além da nossa imaginação. Por que afinal nós continuamos nesta condição de vida miserável? Porque a quase totalidade do produto do nosso trabalho nós é roubada pelos seres humanos. Aí está, camaradas, a resposta para todos os nossos problemas. Ela pode ser resumida numa única palavra – Homem. O Homem é nosso único e verdadeiro inimigo. Retire o Homem da cena, e a raiz principal da fome e da sobrecarga de trabalho será cortada para sempre [...]”

(tradução de Rafael Arrais)


Comentários

[1] Já na primeira linha da obra temos um termo de tradução muito difícil. No original, Manor Farm, temos uma referência a uma fazenda onde há uma grande mansão luxuosa (propriedade do sr. Jones). Após a rebelião dos animais, essa mesma fazenda será rebatizada para Animal Farm, o título original da obra. Assim, o próprio título escolhido no primeiro lançamento da obra no Brasil foi um tanto infeliz, primeiro porque faz menção a algo que não estava na ideia original, segundo porque usa a palavra “revolução” no lugar de “rebelião”, que seria o mais correto. Ou seja, seguindo essa lógica o título no Brasil deveria ser A Rebelião dos Animais. No entanto, melhor ainda teria sido usar A Fazenda dos Animais, A Granja dos Animais ou A Chácara dos Animais.
Quanto à tradução de Manor Farm, eu optei por utilizar Chácara do Solar, uma vez que a fazenda não é lá tão grande, e poderia perfeitamente ser chamada de “chácara” por aqui. Quanto ao “do Solar”, se refere justamente ao “Solar”, isto é, a mansão do sr. Jones – uma tradução literal, como Chácara Solar ou Fazenda Solar, estaria errada.

[2] O nome original do cavalo é Boxer. Sempre que possível, eu tento deixar os nomes originais, ou a versão deles em português – como, por exemplo, Benjamim no lugar de Benjamin ou Moisés no lugar de Moses. Boxer, no entanto, soa demasiadamente estranho (na minha opinião), principalmente em se considerando a importância do personagem na obra. Assim sendo, quebrei a cuca para tentar achar um nome o mais próximo possível da ideia de “um boxeador, um cara forte e resiliente”. Cheguei, enfim, ao nome Cascudo. Sei que alguns podem não gostar, mas foi o melhor que pude fazer neste caso.

[3] Aqui o desafio foi ainda mais difícil. Clover, o nome original da égua, se refere a “um trevo” (quiçá a um trevo de quatro folhas, representando os seus quatro potros). Sendo uma personagem feminina, manter o nome seria especialmente ruim; então queimei a mufa para buscar, na natureza, alguma espécie de planta, flor ou folha que pudesse soar bem como o nome de uma égua, e acabei chegando a Margarida.

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19.11.19

Lovecraft e os deuses monstruosos

Neste vídeo falaremos sobre "O Chamado de Cthulhu", a obra mais conhecida do mestre do horror cósmico, H. P. Lovecraft. Através de uma análise da vida do autor, de seu isolamento social, do amor pela literatura clássica e a aversão as culturas não europeias, tentaremos explicar como o próprio Cthulhu pode ser um deus em seu aspecto colérico - como dizia Joseph Campbell. Seriam os deuses monstruosos de Lovecraft uma mensagem do seu inconsciente para ele mesmo?

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6.11.19

Indicações de livros

Quando comecei este blog, há mais de uma década, jamais imaginei que ele poderia durar tanto, e que eu pudesse escrever tanto nele. Nesses anos todos os leitores assíduos, assim como os ocasionais, puderam ver como o meu caminho através da espiritualidade, da filosofia e da ciência foi se tornando mais e mais aprofundado. Isso, obviamente, não caiu do céu.

Não me entendam mal: como poeta, eu sei muito bem do valor da intuição e das ideias voadoras que volta e meia são capturadas em sua rede. Para isto, de fato, os livros não ajudam tanto. Mas, para todo o resto, os livros são o que há de mais precioso no auxílio do nosso caminho. Por isso eu resolvi, finalmente, trazer a vocês uma lista extensa e definitiva dos livros, sejam físicos ou digitais, que formam os alicerces do Textos para Reflexão.

Todas as listas se encontram hospedadas no site da Amazon. De lá vocês podem comprar e-books e ler através do app gratuito Kindle, ou comprar os livros impressos – muitos deles com frete grátis para quem tem o Amazon Prime (que pode ser assinado gratuitamente por 30 dias).

Mas não para por aí: se vocês comprarem qualquer um deles através dos links desta página (e somente dos links desta página), eu receberei uma parte da sua compra, e isso ajudará muito o blog, o canal e as Edições Textos para Reflexão.

Assim sendo, aqui vão os links para as listas com as minhas indicações de livros, tarots e e-books, separadas em categorias específicas para facilitar a navegação:

» Filosofia
De Platão a Byung-Chul Han, os livros de filosofia e da história da filosofia que foram essenciais em meu caminho.

» Literatura
De Tolkien a Alan Moore, as histórias e os quadrinhos que foram essenciais em meu caminho.

» Poesia
De Safo a Gibran, os poemas que foram essenciais em meu caminho.

» Espiritualidade, Mitologia e Magia
De Lao Tse a Joseph Campbell, os livros sagrados, ou nem tão sagrados, que foram essenciais em meu caminho.

» Baralhos de Tarot
Os melhores decks de tarot disponíveis.

» Ciência
De Darwin a Carl Sagan, os livros de ciência e divulgação científica que foram essenciais em meu caminho.

» Economia, História e Política
De Huizinga a Yuval Harari, os livros que me ajudaram a entender nossa história, e foram igualmente essenciais em meu caminho.

***

Obs (1).: Vale lembrar que eu receberei uma parcela de qualquer compra que fizerem na Amazon se vocês a acessarem usando qualquer um dos links desta página, mesmo que seja um smartphone, uma camiseta ou um produto de limpeza :)

Obs (2).: Se preferirem, podem deixar esta URL salva nos seus favoritos para acessarem mais tarde, sempre que forem fazer uma nova compra na Amazon (ela contém os mesmos links acima):

raph.com.br/tpr/amazon


Boa Leitura e Bom Caminho!
raph


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2.1.19

Lançamento: O Sítio do Picapau Amarelo - Reinações de Narizinho

As Edições Textos para Reflexão desta vez trazem a você a obra que inaugurou a literatura infantil no Brasil, O Sítio do Picapau Amarelo - Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.

Narizinho tem sete anos e é morena como jambo. Emília, a boneca de pano feita pela Tia Nastácia, acaba se tornando uma boneca falante e espevitada após engolir uma pílula mágica. Pedrinho, primo de Narizinho, mora em São Paulo com a mãe, mas adora vir passar as férias no Sítio do Picapau Amarelo, propriedade da sua avó, Dona Benta, que é exímia contadora de histórias. Esses são alguns dos personagens que têm, há quase um século, habitado o imaginário popular de muitas das crianças brasileiras, e também dos adultos que ainda não se esqueceram da sua criança interior.

Disponível em e-book na Amazon:

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13.10.16

Parem as máquinas, um bardo acaba de ganhar o Nobel!

O cantor e compositor americano Bob Dylan foi anunciado no dia de hoje o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2016.

Além de ícone da música, Dylan é poeta e já escreveu dezenas de livros, assim sendo podemos de fato anunciar: um bardo ganhou o Nobel!

Ainda que não conheça muito sobre Dylan, certamente já deve ter ouvido suas músicas, senão da própria voz do artista, de muitos outros músicos que lhe regravaram e prestaram homenagens. Em todo caso, abaixo segue praticamente tudo o que precisa para começar a conhecê-lo:

***

Crédito da foto: Daniel Kramer (o bardo, quando jovem...)

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26.8.16

Lançamento: Dom Casmurro

As Edições Textos para Reflexão trazem até vocês mais um clássico eterno da literatura mundial, pelo preço de um café (ou gratuito, ver abaixo)!

Desta vez o autor escolhido foi Machado de Assis, e a obra, um dos seus romances mais lidos e comentados, Dom Casmurro. Em homenagem a primeira aparição de um autor clássico nacional em nossas edições, estamos disponibilizando o e-book gratuitamente na Kobo, e a preços mínimos nas demais lojas. Você já pode começar a ler em poucos minutos:

Baixar grátis (Kobo) Comprar eBook (Kindle) Comprar eBook (Saraiva Digital)

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Crédito da imagem: John Singer Sargent (pintura em domínio público, a mesma usada na capa da edição)

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7.8.16

Lançamento: A Metamorfose

As Edições Textos para Reflexão trazem até vocês mais um clássico eterno da literatura mundial, pelo preço de um café!

Desta vez o autor escolhido foi Franz Kafka, e a obra, o seu conto mais lido e comentado, A Metamorfose, uma das histórias mais bizarras do século passado. Você já pode começar a ler em poucos minutos:

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À seguir, trazemos o Epílogo da edição (cuidado, pode conter alguns spoilers):

Um clássico da literatura mundial ou uma espécie de “pegadinha literária”, com o perdão do termo? De fato, Kafka foi genial por conseguir evitar, a todo momento, que o seu leitor conseguisse responder definitivamente a tal pergunta.

É perfeitamente compreensível que muita gente não o tenha compreendido, e que alguns tenham até mesmo se sentido enojados pela temática da sua Metamorfose, mas quem poderá dizer que este também não era o seu objetivo? Quem poderá dar por certo que esta grande brincadeira literária, por vezes doce, por vezes irritante, mas sempre primorosamente elaborada em palavras, não era justamente o que tinha em mente quando se sentava para escrever?

No entanto, há acadêmicos que se negam a admitir qualquer espécie de humor, seja oculto ou não, no texto kafkiano. Para muita gente a metáfora do trabalhador disciplinado, que faz de tudo para cuidar das finanças da família, mas que não tem de fato um sentido na vida, e termina por cair em profunda depressão, é perfeitamente compatível com o inseto estranho em que resulta a metamorfose, trancado em seu quarto escuro, sujo, e incapaz de alcançar sequer a sala da própria casa.

Mas me parece inegável haver alguma espécie de humor, seja ele doentio ou como queiram chamar, no simples fato de que, apesar do absurdo da sua situação, Gregor Samsa esteja quase sempre a pensar no cotidiano e em assuntos triviais, como quando se lamenta em ter de faltar ao trabalho, ou quando está tentando a todo custo se manter inteirado das fofocas do jantar. Gregor se encontra “perfeitamente feliz”, afinal, quando consegue se manter numa posição quase que de meditação, grudado no teto do seu próprio quarto... Ora, se isso não era para ser engraçado, mesmo que de alguma forma bizarra, definitivamente o senhor Kafka é um escritor indecifrável.

Seja como for, fato é que este pequeno conto, a sua obra mais lida, ainda será lida por muito tempo, em muitos cantos diversos e épocas futuras. Esperemos que até lá, mais gente se identifique com o Gregor que corre alegremente pelas paredes do que com o inseto esmagado pelo peso do mundo, incapaz de se arrastar sequer para baixo do sofá.

O editor.

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16.5.16

Lançamento: Fausto (Clássicos eternos)

Após muita reflexão e planejamento, as Edições Textos para Reflexão decidiram que era hora de trazer para vocês os maiores clássicos da literatura mundial, pelo preço de um café!

Decidimos começar com a obra-prima de Johann Wolfgang von Goethe, Fausto. Nesta edição digital revisamos cuidadosamente a gramática da célebre e secular tradução de Antônio Feliciano de Castilho, de modo a tornar o português antigo o mais legível possível, sem no entanto interferir no contexto dos versos. Você já pode começar a ler em poucos minutos:

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À seguir, explicamos melhor do que se trata a nossa nova coleção:

Embora tenhamos escrito incontáveis obras desde o advento da escrita, há alguma arte que parece vencer o próprio fluxo do tempo, algumas histórias que se tornaram já mitologia por onde passaram, e que já foram lidas e encenadas pelas mentes de milhões e milhões de seres humanos.

A Coleção clássicos eternos reconhece a importância de trazer esta luz para ser refletida no maior número de espelhos possível, e cada um de nós é um espelho, e a luz foi criada para ser refletida.

Assim sendo, temos o compromisso de trazer edições cuidadosamente elaboradas dos grandes gênios de outrora, por um preço acessível – principalmente por se tratar de material em domínio público.

Também os tradutores são citados e lembrados. Ora, visto que nos valemos de traduções em linguagem já secular, foi necessário revisar o português, sobretudo com relação à gramática, procurando interferir o mínimo no contexto original da tradução.

Compreendemos que o português antigo pode trazer alguma complexidade no entendimento da obra, mas recomendamos que aproveitem dos recursos tecnológicos modernos dos e-readers ou aplicativos de leitura de e-books, que já possuem dicionários embutidos, assim geralmente basta clicar na palavra desconhecida para aprender o que significa. Se tudo correr bem, além da leitura de uma obra grandiosa, ainda sairão desta aventura sabendo um pouco mais acerca do seu próprio idioma.

Nalguns casos, onde a gramática pode ser aplicada tanto no português de Portugal quanto no do Brasil, preferimos manter o original – por exemplo, entre “génio” e “gênio”, optamos por manter a grafia original, isto é, “génio”.

E agora, fiquem com mais um clássico da literatura humana...

O editor.

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31.7.13

Sobre a leitura e os livros

Texto de Arthur Schopenhauer em "A arte de escrever” (Ed. LP&M) – trechos do capítulo “Sobre a leitura e os livros”. Tradução de Pedro Süssekind. As notas ao final são minhas.

A ignorância degrada os homens somente quando se encontra associada à riqueza. O pobre é sujeitado por sua pobreza e necessidade; no seu caso, os trabalhos substituem o prazer e ocupam o pensamento [1]. Em contrapartida, os ricos que são ignorantes vivem apenas em função de seus prazeres e se assemelham ao gado, como se pode verificar diariamente. Além disso, ainda devem ser repreendidos por não usarem sua riqueza e ócio para aquilo que lhes conferiria o maior valor.

Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: apenas repetimos seu processo mental, do mesmo modo que um estudante, ao aprender a escrever, refaz com a pena os traços que seu professor fizera a lápis. Quando lemos, somos dispensados em grande parte do trabalho de pensar. É por isso que sentimos um alívio ao passarmos da ocupação com nossos próprios pensamentos para a leitura. No entanto, a nossa cabeça é, durante a leitura, apenas uma arena de pensamentos alheios. Quando eles se retiram, o que resta? [2]

Em consequência disso, que lê muito e quase o dia todo, mas nos intervalos passa o tempo sem pensar em nada, perde gradativamente a capacidade de pensar por si mesmo – como alguém que, de tanto cavalgar, acabasse desaprendendo a andar.

Mas é este o caso de muitos eruditos: leem até ficarem burros. Pois a leitura contínua, retomada de imediato a cada momento livre, imobiliza o espírito mais do que um trabalho contínuo, já que é possível entregar-se a seus próprios pensamentos durante esse trabalho. Assim como uma mola acaba perdendo a sua elasticidade pela pressão incessante de outro corpo, o espírito perde a sua pela imposição constante de pensamentos alheios.

E, assim como o excesso de alimentação faz mal ao estômago [...], também é possível, com excesso de alimento espiritual, sobrecarregar e sufocar o espírito. Pois, quanto mais se lê, menor a quantidade de marcas deixadas no espírito pelo que foi lido: ele se torna como um quadro com muitas coisas escritas sobre as outras. Com isso não se chega à ruminação: mas é por meio dela que nos apropriamos do que foi lido, assim como as refeições não nos alimentam quando comemos, e sim quando digerimos [3].

[...] Além de tudo, os pensamentos postos em papel não passam, em geral, de um vestígio deixado na areia por um passante: vê-se bem o caminho que ele deixou, mas para saber o que ele viu durante o caminho é preciso usar os próprios olhos [4].

Nenhuma qualidade literária pode ser adquirida pelo simples fato de lermos escritores que possuem tal qualidade. Contudo, se já as possuímos in potentia, podemos evocá-las, trazê-las à nossa consciência, podemos ver o uso que é possível fazer delas, podemos ser fortalecidos na inclinação, na disposição para usá-las, podemos julgar o efeito de sua aparição em exemplos e, assim, aprender a maneira correta de usá-las; e só assim possuiremos tais qualidades in actu.

Essa é a única maneira de a leitura ensinar a escrever, na medida em que ela nos mostra o uso que podemos fazer de nossos próprios dons naturais; portanto, pressupondo sempre a existência deles. Sem eles, não aprenderemos coisa alguma pela leitura, a não ser uma forma fria e morta, de modo que não nos tornaremos nada mais do que imitadores banais [5].

[...] Quem não sentiria vontade de chorar, à vista dos grossos catálogos editoriais, se pensasse que, de todos aqueles livros, já em dez anos não haverá nenhum vivo. Ocorre na literatura o mesmo que na vida: para onde quer que alguém se volte, depara-se logo com o incorrigível vulgo da humanidade. [...] Isso explica a quantidade de livros ruins, essa abundante erva daninha da literatura que tira a nutrição do trigo e o sufoca. Pois eles roubam tempo, dinheiro e atenção do público, coisas que pertencem por direito aos livros bons e a seus objetivos nobres, enquanto os livros ruins são escritos exclusivamente com a intenção de ganhar dinheiro ou criar empregos [6].

Nesse caso, eles não são apenas inúteis, mas realmente prejudiciais. Nove décimos de toda a nossa literatura atual não têm nenhum outro objetivo a não ser tirar alguns trocados do bolso do público: para isso, o autor, o editor e o crítico literário compactuam [7].

Um golpe pior e mais maldoso, porém mais digno de consideração, foi dado pelos literatos, pelos escritores prolixos que fazem da literatura o seu ganha-pão, contra o bom gosto e a verdadeira formação da época, possibilitando que eles levem todo o mundo elegante na coleira, tornando-o adestrado a ler no momento certo, isto é, fazendo todos lerem sempre a mesma coisa, o livro mais recente, a fim de ter um assunto para conversar em seu círculo.

[...] Como as pessoas leem sempre, em vez dos melhores de todos os tempos, apenas a última novidade, os escritores permanecem no círculo estreito das ideias que circulam, e a época afunda cada vez mais em sua própria lama [8].

Por isso é tão importante, em relação ao nosso hábito de leitura, a arte de não ler. Ela consiste na atitude de não escolher para ler o que, a cada momento determinado, constitui a ocupação do grande público [9]. [...] Quanto às obras ruins, nunca se lerá pouco quando se trata delas; quanto às boas, nunca elas serão lidas com frequência excessiva. Livros ruins são veneno intelectual, capaz de fazer definhar o espírito.

Para ler o que é bom uma condição é não ler o que é ruim, pois a vida é curta, e o tempo e a energia são limitados.

***

[1] Vale lembrar que na época de Schopenhauer os pobres trabalhavam por quase todas as horas despertas de seus dias, sobrando muito pouco tempo livre para o lazer que, em todo caso, devido ao analfabetismo geral, geralmente nada tinha o que ver com livros.

[2] O autor faz um elogio da leitura como “fuga da realidade” sem se esquecer de seu maior perigo: a alienação pela fossilização da capacidade de pensar por si mesmo. Na sequência ele fala do problema e de como remedia-lo.

[3] Apesar da metáfora meio bruta com a ruminação, Schopenhauer está falando de algo essencial a todo leitor, estudante ou buscador da sabedoria: a reflexão. Não à toa este blog tem o título que tem :)

[4] Neste curto parágrafo o autor resume todo o problema da linguagem e das palavras: serão sempre, como bem disse o poeta John Galsworthy, tão somente cascas de sentimento. Nenhum manual de natação poderá algum dia nos fazer experimentar exatamente o que sente aquele que mergulha no mar – somente saberemos ao mergulharmos nós mesmos.

[5] Khalil Gibran resumiu o tema numa frase: “Homem algum poderá revelar-vos senão o que já está meio adormecido na aurora do vosso entendimento”. Alcançar, desvelar e desenvolver aos próprios dons naturais é e sempre será muito mais importante do que o mero acúmulo mental de frases, citações e histórias de outros autores.

[6] Se já criticava ferozmente a crescente produção de livros irrelevantes naquela época, imagina o que o autor acharia do atual mercado editorial!

[7] Não é de surpreender que Schopenhauer tenha feito tão poucos amigos, e tantos inimigos, no meio acadêmico de sua época. Entretanto, apesar de não medir as palavras que utilizava, ele falava muitas verdades inconvenientes. De fato, até hoje as coisas não mudaram quase nada.

[8] As Edições Textos para Reflexão foram criadas também no intuito de remediar um pouco este quadro que, afinal, dura até hoje. Lá irão encontrar grandes obras em domínio público, e pelo preço de um café (no caso das versões digitais). Obs.: Infelizmente não há nenhuma tradução de Schopenhauer para o português em domínio público, mas temos uma de Nietzsche já publicada.

[9] Muito embora, em raríssimas ocasiões, o “grande público” seja incitado a ler obras grandiosas, como por exemplo os livros de J. R. R. Tolkien, na ocasião do lançamento das versões deles nos cinemas mundiais.

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Crédito da imagem: Joel "Boy Wonder" Robinson

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27.5.13

O homem que não acreditava em rebanhos

Neste documentário português sobre o lendário Livro do Desassossego, temos não somente um retrato (ou uma tentativa de retrato) de quem foi Fernando Pessoa, como uma associação de toda a história de sua vida e de seus momentos solitários a escrita do "não livro" do seu semi-heterônimo, o "quase eu", Bernardo Soares.

Pessoa, o homem que foi muitos, e que não acreditava em rebanhos, mas sim na essência única de cada alma, deixou tais escritos inacabados, por publicar. E só foram publicados muitos anos após sua morte, em 1982. É um livro sem forma, sem tempo, um sonho parcialmente capturado pelas palavras:

Veja também:

» O ano do desassossego (trechos do livro neste blog)

» Lançamento: Navegar é preciso (neste livro digital editado por mim, há dois capítulos com vários trechos selecionados do livro)

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8.5.12

La Despedida

Em 2007 foi lançado o filme O amor nos tempo de cólera, baseado no livro homônimo de um dos maiores escritores latino americanos da história: Gabriel García Márquez (publicado em 1985). O escritor colombiano, por iniciativa própria, convidou sua conterrânea, Shakira, para compor e cantar algumas músicas na trilha sonora do filme. Esta é La Despedida, composta em parceria com Antonio Pinto (filho do cartunista Ziraldo), cantada ao vivo em Las Vegas, no evento de lançamento do filme:

Imaginem se todos os astros da música pop pudessem se dedicar mais a arte de verdade, e menos a "música comercial"? Imaginem se a música pop, e todas as outras, fossem apenas "a música"? Fosse assim, ouviríamos algo como isso nas rádios... (ok, me desculpem, foi apenas um devaneio)

***

Não há mais vida, não há
Não há mais vida, não há
Não há mais chuva, não há
Não há mais brisa, não há
Não há mais riso, não há
Não há mais pranto, não há
Não há mais medo, não há
Não há mais canto, não há

Leva-me... Aonde estiveres, leva-me
Leva-me... Aonde estiveres, leva-me

Quando alguém se vai, o que fica...
Sofre mais
Quando alguém se vai, o que fica...
Sofre mais

Não há mais céu, não há
Não há mais vento, não há
Não há mais céu, não há
Não há mais fogo, não há
Não há mais vida, não há
Não há mais vida, não há
Não há mais raiva, não há
Não há mais sonho, não há

Leva-me... Aonde estiveres, leva-me
Leva-me... Aonde estiveres, leva-me

Quando alguém se vai, o que fica...
Sofre mais
Quando alguém se vai, o que fica...
Sofre mais [x2]
Sofre mais...

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6.3.12

A Igreja do Livro Transformador

Hoje me filiei a uma nova Igreja; sou o mais novo fiel da Igreja do Livro Transformador:

A ideia foi concebida pelo escritor Luiz Ruffato primeiramente como uma brincadeira, onde as pessoas dariam seus testemunhos sobre os livros que deram outros rumos para suas vidas. Aos poucos a ideia foi ganhando mais forma e adeptos não só em eventos literários, mas também pelo Brasil afora, e vem sendo divulgada na web pelo site literário Interrogação.org.

Os fiéis desta distinta Ekklesia devem tão somente reconhecer que os livros mudaram sua vida, e dar algum depoimento acerca deste evento mágico... Então, aqui vai o meu:

Poderia citar em realidade 3 momentos distintos, igualmente mágicos, acerca do meu "despertar" para os livros nesta vida: o primeiro ocorreu ainda antes de eu saber ler, quando folheava quadrinhos de super-heróis (da Marvel e DC, publicados na época pela Ed. Abril) e compreendia alguma parte das histórias apenas admirando as figuras, isto quando não perturbava a paciência do meu pai para que ele lesse para mim; o segundo ocorreu quando li O Hobbit, de J.R.R. Tolkien, pela primeira vez, o que despertou em mim uma espécie de "espanto persistente" perante aqueles mundos fantásticos de pura imaginação, embora soubesse (e ainda saiba, espero) diferenciar muito bem a fantasia da realidade; o terceiro foi quando li o Fédon (ou Da alma), de Platão, e sentia claramente que estava tão somente relendo uma história muito querida, que já conhecia - daí foi um pulo para chegar aos outros grandes livros sagrados, a filosofia, a poesia e a divulgação científica. Se tem alguma coisa de material que possa realmente chamar de "tesouro", sem dúvida são os meus livros, assim como algumas histórias em quadrinhos memoráveis.


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