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9.6.22

Lançamento: O Grande Arcano

As Edições Textos para Reflexão voltam a publicar Éliphas Lévi, o grande mago cristão do século XIX.

Escrito no final da vida, O Grande Arcano, também chamado de O Ocultismo Revelado, é o seu livro mais profundo, um genuíno testamento deixado para todos os buscadores e iniciados.

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25.2.22

Lançamento: Dogma e Ritual da Alta Magia

As Edições Textos para Reflexão trazem o grande clássico das ciências ocultas em uma edição digital memorável.

Dogma e Ritual da Alta Magia, de Éliphas Lévi, é uma das obras mais célebres no meio ocultista, de modo que até o século atual continua sendo considerada uma das introduções mais confiáveis à Cabala, ao Tarô, à prática da magia cerimonial e ao ocultismo em geral. Nossa edição possui mais de 40 ilustrações do próprio autor, prefácio de Arthur Edward Waite (cocriador do Tarô de Waite-Smith), fontes hebraicas dinâmicas (elas acompanham o tamanho do texto em geral) e guia de leitura - tudo isso pelo preço de um café!

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6.5.21

Não, esse blog não morreu

Há pouco mais de 5 anos eu fui demitido de uma empresa da área de TI na qual já estava há quase 12 anos. Na maior parte desse tempo, por conta de ter ido morar noutro estado, eu trabalhei em home-office. Muito antes da pandemia e das reuniões por videochamada, eu já tinha meu “escritório em casa”, e isso certamente explica como arranjei tempo para tocar esse blog. Tanto que, logo após a demissão, minha preocupação não era tanto ficar desempregado (um webdeveloper front end não costuma ter muita dificuldade de se realocar, mesmo na crise), mas sim de como diabos manter o blog vivo após assumir um novo emprego “tradicional”, do tipo que lhe obriga a se deslocar até outro local da cidade, perdendo justamente as horas preciosas que eu até então usava para a escrita.

Foi nesse ano de 2016, não mais que semanas após a minha demissão, que eu tive a sorte de encontrar o Léo Lousada para tomar um chope. Ele, que é de São Paulo/SP, estava visitando Campo Grande/MS por conta de uma questão de trabalho, e ficou hospedado num hotel a alguns quilômetros de onde moro. Marcamos de nos ver num bar aqui pertinho, de modo que eu fui a pé, e ele veio de uber. Para quem não sabe, o Léo é um dos criadores e apresentadores do canal Conhecimentos da Humanidade, que hoje conta com quase 400 mil inscritos no YouTube, mas que naquela época ainda tinha somente poucas dezenas de milhares. Bem, eu já conhecia o Léo dos Simpósios de Hermetismo que havia assistido em São Paulo, mas foi após a nossa interação por conta do Conhecimentos da Humanidade que nos tornamos mais próximos.

Em todo caso, o que importa é que naquela noite dois hermetistas tomavam chope amigavelmente, mas um estava empregado, e o outro (talvez por ser de Capricórnio) estava consideravelmente aflito. Uma aflição do tipo que às vezes nem o estoicismo consegue amainar. Honestamente, eu não me lembro do que o Léo me falou, mas conhecendo ele, provavelmente teve algo a ver com estar tranquilo e compreender que por vezes essa é a forma do Universo lhe encaminhar para uma outra via, mais essencial. E hoje é muito claro para mim que ele tinha razão, mas eu não conseguia entender como ser demitido estaria me ajudando a ter mais tempo para a escrita. Eu não ganho mesada de pais ricos, e ainda pago aluguel.

Ora, mas se não me lembro do que ele disse exatamente, me lembro de outra coisa: ao nos despedirmos, ele optou por voltar caminhando em plena noite para o hotel. De fato, o clima estava agradável e ele seguiria por uma avenida relativamente movimentada (e, portanto, relativamente segura), mas como andava aflito eu não pude evitar perguntar:

“Vai andar tudo isso a pé, tem certeza?”

“Tenho, quero conhecer a cidade.”

Era o único tempo que o Léo teria para conhecer a cidade. De fato, ele sempre trabalhou muito. Não faço ideia de como consegue tocar tantos projetos em paralelo com o emprego formal. Eu não conseguiria, mas cada um é cada um. O fato é que a expressão tranquila dele, naquela noitinha, ao se despedir, é a imagem que me marcou a memória: ele tinha com ele o tipo de estoicismo, o tipo de paz mental, que eu precisava naquele momento. Muitas vezes um amigo ajuda o outro pelas vias mais esquisitas, principalmente um amigo hermetista. O Léo me ajudou ao me lembrar de um estado de consciência que eu havia perdido naquele momento. E ele nem mesmo precisou se esforçar ou pensar em algo importante para dizer: bastou apenas ser ele mesmo, e dividir alguns chopes comigo naquela noite.

É fácil entender hoje o que se seguiu de lá para cá. Mas você nunca percebe como tudo se encaminha para esta ou aquela direção quando se sente perdido no meio do turbilhão da própria mente, e suas elucubrações.

Literalmente dias após ser demitido eu consegui manter um trabalho do tipo freelancer (temporário) com uma grande empresa do ramo de alimentos. A questão é que o contrato durava 3 meses. Ou seja, em 3 meses eu precisaria estar novamente empregado, e dificilmente voltaria a trabalhar em home-office. Nesses meses eu participei de um longo processo de seleção para a maior empresa de TI do estado onde moro (MS). Me lembro vividamente do último dia do processo, onde a vaga ficaria entre eu e um outro sujeito, um descendente de japoneses gente boa que havia acabado de ter um filho com a esposa, e também ficado desempregado por conta da crise econômica no país. Me lembro de como olhei para os olhos dele quanto o cumprimentei a primeira vez e tive uma intuição muito forte que dizia mais ou menos assim: “A vaga é dele, eu preciso perder essa vaga”. Então, eu simplesmente me autossabotei no restante da avaliação. Talvez ele tivesse ganhado a vaga ainda assim, mas de alguma forma eu já sabia que aquele não seria o meu futuro.

Minha intuição costuma ter razão. O contrato de 3 meses foi renovado por mais 3, depois por mais 4, eventualmente a cada 6 meses. Com isso alguns anos se passaram, e eu decidi me dedicar com mais afinco as traduções de grandes autores em domínio público, algo que eu havia iniciado em 2013. Ora, se até então as Edições Textos para Reflexão tinham servido para que eu pudesse autopublicar e-books que eram traduções de alguns dos melhores livros que li na vida, dali em diante eu decidi que teria de me dedicar também a alguns best-sellers que talvez não estivessem na minha lista de “melhores livros da história”.

Eu não imaginava que um dia poderia viver somente da venda de e-books, é claro. Primeiro porque não abriria mão de vendê-los “pelo preço de um café” (até hoje eles custam entre R$0,98 e R$5,99 na Amazon, afora os gratuitos); segundo porque ainda era um mercado um tanto pequeno e relativamente estagnado. Mesmo assim, foi mais ou menos a partir dessa época que O Príncipe de Maquiavel, A Metamorfose de Kafka e o Fausto de Goethe surgiram no catálogo. O primeiro sendo um estrondoso sucesso de vendas desde 2017; o segundo com suas idas e vindas às listas de mais vendidos; e o último, por conta da concorrência de outras editoras digitais, um retumbante fracasso. Claro que nem sempre são traduções minhas: no caso do Fausto, por exemplo, o tradutor também já havia entrado em domínio público.

Mas fato é que minhas vendas de e-books tinham se estabelecido como um consistente complemento salarial, de modo que além de eu continuar como freelancer, ainda poderia trabalhar menos horas do que anteriormente. O tempo para a escrita estava mais do que assegurado!

Então chegou 2019. Meu primeiro filho nasceu no início do ano, e em Maio eu perdia definitivamente o contrato que havia mantido como freelancer. Ocorre que Maio de 2019 não estava tão longe do dia 01/01/2021, data em que a obra de George Orwell, peso pesado da literatura do século XX, entraria em domínio público. Eu ficaria seriamente no vermelho nesses cerca de 18 meses, mas eu tinha dinheiro guardado para isso; e, além do mais, se a partir de meados de 2021 eu conseguisse viver só da venda de e-books, estaria garantindo não somente o tempo para a escrita [1], como algo até mais valioso do que isso: o tempo para estar bem perto do meu filho, para vê-lo dar os primeiros passos e falar as primeiras palavras. Era um sonho que em realidade não tinha preço.

Em meados do início de 2020, entretanto, o inimaginável aconteceu: após cerca de um século, o mundo vivia uma nova pandemia. Enquanto o país se trancava em casa, enquanto o mundo realizava conjuntamente a maior quarentena de sua história, as vendas de e-books simplesmente decolaram! Fazia todo sentido, afinal: é MUITO mais seguro comprar online, mas ao contrário de um livro impresso, um e-book chega ao seu dispositivo de leitura em questão de segundos. Assim, em Março de 2020 eu já havia alcançado a meta de renda que planejava para 2021. Mas não fazia tanto sentido comemorar uma vitória dessas enquanto as estatísticas de mortes pela Covid-19 só aumentavam.

Foi quando a curva de mortes caiu com certa consistência, mais para o fim de 2020, que eu me permiti comemorar o sonho. Vale lembrar que eu não sabia exatamente o que era um e-book até o fim de 2012 (se me perguntasse, diria que é um PDF, mas um e-book é muito mais que isso), e cerca de 8 anos depois eu estava vivendo inteiramente da venda deles. Por isso o caminho para a chamada Verdadeira Vontade é algo tão imprevisível: por mais que você possa ser um artista, alguém criativo, quiçá intuitivo, o Universo sempre será infinitamente mais criativo do que você. Por isso também que nesse caminho o amor pelo que realizamos sempre contará MUITO mais do que quaisquer expectativas de resultado.

Tudo isso para finalmente explicar porque esse blog não morreu:

Sim, eu estou há meses sem escrever por aqui, e isso teve uma boa razão: George Orwell. Desde a metade de 2020 eu tenho me dedicado à tradução de suas principais obras: A Revolução dos Bichos e 1984. Hoje, ambas já foram lançadas. A primeira, lançada pontualmente em 01/01/2021, é o maior sucesso das Edições Textos para Reflexão, tendo alcançado o #1 geral na Loja Kindle da Amazon, e estacionado entre os 50 mais vendidos desde então. A segunda, que levou quase 8 meses e, por isso, só pôde ser lançada no final de Abril, está brigando com a concorrência para também alcançar os 50 mais vendidos, quiçá estacionando um bom tempo por lá. Esse trabalho de tradução (particularmente no caso de 1984) me tomou absolutamente todo o tempo livre, foi algo dificílimo, mas acabou. Um dia, quando voltar a abordar Orwell aqui no blog, falarei mais sobre isso.

Não, esse blog não morreu. Para falar a verdade, está mais vivo do que nunca. E tudo indica que continuará assim. Mesmo sem projeto de financiamento coletivo, tenho a sorte de ter alcançado a condição financeira necessária para “viver da escrita”. Para alguém como eu, é como a sensação de ser milionário, só que melhor.

E, se ainda não comemoro mais, é pelos mais de 400 mil cadáveres do lado de fora...

***

[1] Nesse meio tempo eu também cheguei a criar um canal no YouTube, homônimo ao blog. Ao contrário da escrita, no entanto, a criação de vídeos não é exatamente o meu “habitat natural”, e eu não tenho certeza se algum dia voltarei a produzir vídeos com regularidade. Nada me impedirá, por outro lado, de criar vídeos pontuais (quando der na telha).

Crédito das imagens: [topo] Mike Tinnion/unsplash; [ao longo] Garçom anônimo (meu encontro com o Léo Lousada; estou na esquerda da imagem).

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30.4.21

Lançamento: 1984

As Edições Textos para Reflexão retornam a George Orwell com uma das obras literárias mais importantes e lidas do século XX: 1984, traduzida por Rafael Arrais.

Em 1984, George Orwell reinventou o romance de ficção científica. Na sua obra, a sociedade está repleta de novas máquinas intrigantes: telas onipresentes que viciam e, ao mesmo tempo, vigiam constantemente seus cidadãos. As pessoas, no entanto, não sentem que são escravizadas. Como Orwell entendia tão bem, os regimes realmente inteligentes e assustadores do mundo moderno não são aqueles obviamente ditatoriais: eles são democráticos na aparência, mas, na realidade, cegam os seus cidadãos com distrações constantes.

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» Veja também um trecho da tradução aqui.


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2.1.21

Lançamento: A Revolução dos Bichos

As Edições Textos para Reflexão adentram 2021 com uma das obras literárias mais importantes e lidas do século XX: A Revolução dos Bichos de George Orwell, traduzida por Rafael Arrais.

Trata-se de um ensaio político sobre como as revoluções podem ser vítimas de contrarrevoluções, virando as costas para suas próprias ideias originais. Para tal, Orwell seguiu os passos de Walt Disney e La Fontaine, que consistia em contar uma história sobre seres humanos através de animais. Esta é precisamente a genialidade da fábula de Orwell: ao cortar todas as referências humanas contemporâneas, o autor encontrou uma maneira de nos contar sobre nós mesmos em todo e qualquer tempo, inclusive no futuro. Esta obra é, portanto, um clássico eterno.

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» Veja também um trecho da tradução aqui.


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6.11.19

Indicações de livros

Quando comecei este blog, há mais de uma década, jamais imaginei que ele poderia durar tanto, e que eu pudesse escrever tanto nele. Nesses anos todos os leitores assíduos, assim como os ocasionais, puderam ver como o meu caminho através da espiritualidade, da filosofia e da ciência foi se tornando mais e mais aprofundado. Isso, obviamente, não caiu do céu.

Não me entendam mal: como poeta, eu sei muito bem do valor da intuição e das ideias voadoras que volta e meia são capturadas em sua rede. Para isto, de fato, os livros não ajudam tanto. Mas, para todo o resto, os livros são o que há de mais precioso no auxílio do nosso caminho. Por isso eu resolvi, finalmente, trazer a vocês uma lista extensa e definitiva dos livros, sejam físicos ou digitais, que formam os alicerces do Textos para Reflexão.

Todas as listas se encontram hospedadas no site da Amazon. De lá vocês podem comprar e-books e ler através do app gratuito Kindle, ou comprar os livros impressos – muitos deles com frete grátis para quem tem o Amazon Prime (que pode ser assinado gratuitamente por 30 dias).

Mas não para por aí: se vocês comprarem qualquer um deles através dos links desta página (e somente dos links desta página), eu receberei uma parte da sua compra, e isso ajudará muito o blog, o canal e as Edições Textos para Reflexão.

Assim sendo, aqui vão os links para as listas com as minhas indicações de livros, tarots e e-books, separadas em categorias específicas para facilitar a navegação:

» Filosofia
De Platão a Byung-Chul Han, os livros de filosofia e da história da filosofia que foram essenciais em meu caminho.

» Literatura
De Tolkien a Alan Moore, as histórias e os quadrinhos que foram essenciais em meu caminho.

» Poesia
De Safo a Gibran, os poemas que foram essenciais em meu caminho.

» Espiritualidade, Mitologia e Magia
De Lao Tse a Joseph Campbell, os livros sagrados, ou nem tão sagrados, que foram essenciais em meu caminho.

» Baralhos de Tarot
Os melhores decks de tarot disponíveis.

» Ciência
De Darwin a Carl Sagan, os livros de ciência e divulgação científica que foram essenciais em meu caminho.

» Economia, História e Política
De Huizinga a Yuval Harari, os livros que me ajudaram a entender nossa história, e foram igualmente essenciais em meu caminho.

***

Obs (1).: Vale lembrar que eu receberei uma parcela de qualquer compra que fizerem na Amazon se vocês a acessarem usando qualquer um dos links desta página, mesmo que seja um smartphone, uma camiseta ou um produto de limpeza :)

Obs (2).: Se preferirem, podem deixar esta URL salva nos seus favoritos para acessarem mais tarde, sempre que forem fazer uma nova compra na Amazon (ela contém os mesmos links acima):

raph.com.br/tpr/amazon


Boa Leitura e Bom Caminho!
raph


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19.10.19

Lançamento: O Chamado de Cthulhu

As Edições Textos para Reflexão publicam o conto mais conhecido de H. P. Lovecraft, o escritor que revolucionou o Horror Fantástico. Traduzido do inglês original por Rafael Arrais.

Na cosmologia de Lovecraft, os chamados Mitos de Cthulhu, o ser humano é uma coisa insignificante, que mal compreende as Coisas imensas e antiquíssimas que habitam o seu mundo, como deuses anciãos e raças multimilenares. Em O Chamado de Cthulhu, temos uma apavorante introdução a este universo.

Um ebook já disponível para Amazon Kindle, Kobo e Saraiva Lev:

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***

Abaixo, segue uma amostra com o trecho inicial do conto:


“De tais poderes grandiosos ou entidades é concebível que possa haver restado um vestígio [...] um vestígio de uma era regressa onde [...] a consciência era manifestada, quem sabe, em contornos e formas há muito submersos diante da maré do avanço da humanidade [...] formas das quais tão somente a poesia e as lendas puderam guardar alguma memória fugidia, e então os chamaram de deuses, monstros, criaturas míticas de todos os tipos e espécies [...].”

(por Algernon Blackwood – isto foi encontrado entre os papéis do já falecido Francis Wayland Thurston, em Boston)


A coisa mais misericordiosa neste mundo, penso eu, é a incapacidade da mente humana de correlacionar tudo o que nele existe. Nós vivemos numa pacata ilha de ignorância em meio a mares escuros vastos de infinito, e não era a intenção que velejássemos muito longe. As ciências, cada uma vagando em sua própria direção, até hoje pouco mal nos causaram; no entanto, algum dia a junção de conhecimentos desconexos nos abrirá os olhos para visões tão terríveis da realidade, e da nossa posição assustadora em seu meio, que nós deveremos ou enlouquecer diante da revelação ou fugir da sua luminosidade fatal, rumo à paz e a segurança de uma nova idade das trevas.
Os teosofistas têm especulado acerca da grandeza abissal do ciclo cósmico no qual o nosso mundo e a raça humana não passam de incidentes passageiros. Eles vêm aludindo a estranhos vestígios usando termos que gelariam o sangue dos incautos, não fossem mascarados por um tolo otimismo. Mas não foi deles que surgiu o breve vislumbre de éons proibidos que me arrepia quando penso no assunto, e me enlouquece quando aparece em meus sonhos.
Tal vislumbre, como todos os pavorosos vislumbres da verdade, surgiu de uma conexão acidental de duas coisas separadas – neste caso, um recorte de jornal antigo e as anotações de um professor falecido. Eu espero que ninguém mais consiga chegar a esta conexão; se eu sobreviver, é certo que jamais irei revelar propositadamente elo algum desta corrente hedionda. Eu penso que o professor também tinha a intenção de manter silêncio acerca da parte que sabia, e que teria destruído as suas anotações caso não fosse surpreendido por uma morte tão súbita.
O meu conhecimento do caso começou no inverno de 1926-27, com a morte do meu tio-avô George Gammell Angell, professor emérito de línguas semíticas na Universidade Brown, em Providence, Rhode Island. O professor Angell era amplamente reconhecido como uma autoridade em inscrições arcaicas, e era frequentemente consultado por diretores de museus importantes acerca do tema; assim sendo, o seu falecimento aos noventa e dois anos deve ser lembrado por muitos.
Localmente, no entanto, tal interesse foi intensificado pela causa da morte ser um tanto obscura. O professor sucumbiu enquanto retornava da barca de Newport; segundo testemunhas, foi uma queda súbita, após um encontrão com um negro com aparência de marujo que havia surgido de um dos pátios escuros e sinistros que podiam ser encontrados na encosta íngreme que servia de atalho da praia até a sua casa, na Williams Street.
Os médicos foram incapazes de encontrar qualquer doença visível, porém chegaram à conclusão, após debates cheios de perplexidade, que alguma lesão obscura no coração, induzida pela subida de um morro tão íngreme para um homem de idade avançada, foi a responsável pela morte. Na época eu não vi razão para divergir desta conclusão, mas ultimamente eu tenho me inclinado a questioná-la – e até mais do que isso.


(continua no ebook...)


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31.8.19

Lançamento: Meditações de Marco Aurélio

As Edições Textos para Reflexão retornam a filosofia com a obra de Marco Aurélio, o imperador romano que mais se aproximou do ideal platônico de um “rei-filósofo”.

Meditações é um dos marcos do estoicismo e da história da filosofia ocidental. A tradução (a partir de versões inglesas) é de Rafael Arrais, que também já traduziu o Manual de Epicteto e diversas obras poéticas e espiritualistas da humanidade.

Já disponível em ebook e versão impressa:

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Abaixo, segue o Prefácio da obra (por Rafael Arrais):


Em sua famosa obra, A República, Platão defende que o Estado ideal deveria ser governado por uma espécie de “rei-filósofo”. No entanto, mesmo na época o pensador grego sabia que se tratava de algo muito difícil de vir a acontecer:

“Se nunca aconteceu, nos séculos passados, que um filósofo fosse obrigado a se encarregar do governo de um Estado [...], se algum dia realmente vier a acontecer, poderemos então afirmar que existe uma República semelhante a esta que imaginamos, quando a Musa Filosófica se tornar senhora de uma cidade.” (A República, Livro VI)

O próprio Platão, convidado pelo governante de Siracusa, tentou implantar o seu sistema de governo idealizado no “mundo real”, mas falhou miseravelmente. Ora, se nem mesmo quem imaginou os reis-filósofos encontrou um, diríamos que alguém assim nunca existiu, certo?
Bem, se houve algum homem que se aproximou dos ideais platônicos, e conseguiu ser bem sucedido tanto na condução do Estado quanto no caminho da filosofia, este homem foi Marco Aurélio, imperador de Roma.
Marco Aurélio foi o último dos cinco imperadores que governaram o Império Romano num período conhecido como Pax Romana (Paz Romana), que durou até a sua morte, em 180 d.C. Curiosamente, como ainda veremos, a última década de sua vida foi quase toda dedicada a defender o Império de invasores bárbaros – havia paz dentro do Império, mas não em suas fronteiras.
Nascido em 121 d.C., devido a morte prematura do pai ele foi criado como filho adotivo do bom imperador Antonino Pio, também seu tio, a quem sucedeu no governo em 161 d.C. Devido a haver sido educado pelos melhores mentores e sábios de sua época, Marco Aurélio conheceu a fundo a filosofia grega, e veio a se apaixonar pelo estoicismo.
Esta corrente filosófica surgiu em Atenas já após Platão e Aristóteles, quando por volta do ano 301 a.C. um estrangeiro de origem fenícia chegou a cidade e passou a divulgar sua doutrina e atrair discípulos. Seu nome era Zenão de Cítio.
Ao contrário de muitos filósofos da época, Zenão preferia realizar suas palestras em locais públicos, sendo o seu ponto favorito uma espécie de “pórtico” (stoa, em grego) da cidade. Por conta da palavra stoa, a nova doutrina veio a ser conhecida como estoicismo.
Zenão teve alguns discípulos que vieram a se tornar relativamente famosos, mas do ponto de vista histórico existiram três estoicos tardios, nascidos séculos após Zenão, que foram muito mais importantes que ele próprio: Sêneca, Epicteto e o próprio Marco Aurélio.
Sêneca (3 a.C. – 65 d.C.), a exemplo de Marco Aurélio, conseguiu ser bem sucedido na filosofia e na política, tendo alcançado o cargo de senador romano. Foi Epicteto (60 d.C. – 100 d.C.), entretanto, o grande exemplo seguido pelo imperador filósofo. Ao contrário dos outros dois expoentes do estoicismo, Epicteto teve origem humilde e foi escravo por boa parte da vida; mesmo assim tal fato não o impediu de ter sido um dos pensadores mais originais da história da filosofia, ao ponto da própria obra de Marco Aurélio ser mais uma espécie de comentário alongado de Epicteto do que algo propriamente original.
A própria essência do estoicismo foi de tal forma resumida no início do Manual de Epicteto, que poderíamos dizer que todo o restante pode ser desenrolado, como um fio, desta reflexão inicial:

As coisas se dividem em duas: as que dependem de nós e as que não dependem de nós. Dependem de nós o que se pensa de alguma coisa, a inclinação, o desejo, a aversão e, em uma palavra, tudo o que é obra nossa. Não dependem de nós o corpo, a posse, a opinião dos outros, as funções públicas, e, numa palavra, tudo o que não é obra nossa. O que depende de nós é, por natureza, livre, sem impedimento, sem contrariedade, enquanto o que não depende de nós é fraco, escravo, sujeito a impedimento, estranho.” (Manual, I)

Assim, um estoico focava a sua atenção não propriamente nos eventos do mundo, mas na sua interpretação, na sua opinião acerca de tais eventos. Ou, como repetia Marco Aurélio, “tudo é opinião”.
No entanto, sem dúvida seria bem mais simples se dedicar à filosofia estoica e à reflexão acerca da própria opinião no espaço reservado de uma escola filosófica, numa casa de campo afastada das grandes cidades, quiçá simplesmente viajando a turismo pelo mundo. Todavia, nada disso foi possível ao imperador Marco Aurélio, que tinha literalmente o maior império de seu tempo dependendo dos seus cuidados. O fato de ele ter sido bem sucedido em seu caminho filosófico, mesmo diante de tantas responsabilidades e atribulações, faz dele quase que um exemplo de homem divino, embora ele próprio pouco se importasse com a fama.
Aliás, Marco Aurélio jamais desejou publicar obra alguma. As suas Meditações, que tinham a si mesmo como destinatário, eram nada mais que diários pessoais, escritos sabe-se lá a qual custo em meio ao seu governo. De fato, ele passou os últimos dez anos de sua vida residindo longe do conforto de Roma, defendendo a fronteira norte do Império dos ataques de povos bárbaros, como os Quados e, principalmente, os Marcomanos. E ao que tudo indica foi precisamente nesses anos, quem sabe para ajudar a si mesmo a ser resiliente a guerra, quem sabe por puro amor a filosofia, que Marco Aurélio escreveu e presenteou a história da filosofia com as Meditações.
Coube a Cássio Dião, um historiador da época, relatar o esforço descomunal do imperador em não deixar a chama filosófica se apagar, mesmo em meio aos dias mais sombrios:

“Marco não encontrou a boa sorte que merecia, pois ele não era dotado de um físico vigoroso e se viu envolvido em um turbilhão de problemas durante praticamente todo o seu reinado. Mas, na parte que me toca, eu o admiro ainda mais por essa razão, já que, em meio a dificuldades incomuns e extraordinárias ele conseguiu sobreviver e preservar o Império.”

Assim, na sequência ficamos com as reflexões de um dos maiores governantes e filósofos que já passou pelo mundo, que embora tenham ficado conhecidas como as Meditações de Marco Aurélio, na realidade foram intituladas pelo próprio autor como Pensamentos para mim mesmo...


O tradutor.


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19.8.19

Como eu virei uma editora

Neste vídeo eu partilho com vocês a sequência inusitada de eventos que me transformou numa editora. Não, eu não abri uma empresa, nem fui contratado por uma, eu me tornei, eu mesmo, uma editora, e a grande maioria dos meus livros sequer é físico. Estranho né? Eu explico melhor no vídeo.

Se gostaram, não esqueçam de curtir, compartilhar e se inscrever no canal!


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1.7.17

Lançamento: A Origem das Espécies

As Edições Textos para Reflexão trazem a você a obra que mudou o mundo, A Origem das Espécies de Charles Darwin, exclusivamente para o seu Amazon Kindle.

Esta obra, apesar de essencialmente acadêmica, mudou para sempre a nossa concepção da vida e da natureza, e serve até hoje de alicerce primordial para ramos científicos como a biologia e a genética, que desabariam sem a teoria da seleção natural. Você já pode começar a ler em poucos minutos, pelo preço de um café:

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***

À seguir, trazemos alguns trechos selecionados de nossa edição digital:

[Cap. 6]

É certamente verdadeiro que se veem raramente aparecer num indivíduo novos órgãos que parecem ter sido criados com um fim especial; é mesmo o que demonstra o velho axioma de história natural de que se tem exagerado um pouco a significação: Natura non facit saltum [a natureza não dá saltos].

A maior parte dos naturalistas experimentados admitem a verdade deste adágio; ou, para empregar as expressões de Mine Edwards, a natureza é pródiga em variedades, mas avara em inovações. Para que haverá, na hipótese das criações, tantas variedades e tão poucas novidades reais? Por que é que todas as partes, todos os órgãos de tantos seres independentes, criadas, como se supõe, separadamente para ocupar um lugar distinto na natureza, estiveram tão ordinariamente ligadas umas às outras por uma série de gradações? Por que não teria passado a natureza simultaneamente de uma conformação para outra? A teoria da seleção natural faz-nos compreender claramente porque não sucede assim; a seleção natural, com efeito, atua apenas aproveitando leves variações sucessivas, não pode pois jamais dar saltos bruscos e consideráveis, só pode avançar por graus insignificantes, lentos e seguros.

[Cap. 15]

A disposição semelhante dos ossos na mão humana, na asa do morcego, na barbatana do golfinho e na perna do cavalo; o mesmo número de vértebras no pescoço da girafa e no do elefante; todos estes fatos e um número infinito de outros semelhantes explicam-se facilmente pela teoria da descendência com modificações sucessivas, lentas e ligeiras. A semelhança de tipo entre a asa e a perna do morcego, ainda que destinadas a usos tão diversos; entre as maxilas e as patas do escaravelho; entre as pétalas, os estames e pistilos de uma flor, explica-se igualmente em grande escala pela teoria da modificação gradual das partes e dos órgãos que, num antepassado afastado de cada uma dessas classes, eram primitivamente semelhantes. Vemos claramente, segundo o princípio de que as variações sucessivas não sobrevêm sempre numa idade precoce e apenas são hereditárias na idade correspondente, porque os embriões de mamíferos, de aves, de répteis e de peixes, são tão semelhantes entre si e tão diferentes no estado adulto. Podemos cessar de nos maravilhar de que os embriões de um mamífero de respiração aérea, ou de uma ave, tenham fendas branquiais e artérias em rede, como no peixe, que deve, por meio de guelras bem desenvolvidas, respirar o ar dissolvido na água.

[...] Não é possível supor que uma teoria falsa pudesse explicar, de maneira tão satisfatória, como o faz a teoria da seleção natural, as diversas grandes séries de fatos de que nos temos ocupado. Tem-se recentemente objetado que está nisto um falso método de raciocínio; mas é o que se emprega para apreciar os acontecimentos ordinários da vida, e os maiores sábios não têm desdenhado em o seguir. É assim que se chega à teoria ondulatória da luz; e a crença da rotação da Terra no seu eixo só recentemente encontrou o apoio de provas diretas. Não é uma objeção valiosa dizer que, no presente, a ciência não lança luz alguma sobre o problema bem mais elevado da essência ou da origem da vida. Quem pode explicar o que é a essência da atração ou da gravidade! Ninguém hoje, contudo, se recusa a admitir todas as consequências que ressaltam de um elemento desconhecido, a atração, posto que Leibnitz tivesse outrora censurado Newton de ter introduzido na ciência “propriedades ocultas e milagres”.

Não vejo razão alguma para que as opiniões desenvolvidas neste volume firam o sentimento religioso de quem quer que seja. Basta, além disso, para mostrar quanto estas espécies de impressões são passageiras, lembrar que a maior descoberta que o homem tem feito, a lei da atração universal, foi também atacada por Leibnitz, “como subversiva da religião natural, e, nestas condições, da religião revelada”. Um eclesiástico célebre escrevia-me um dia, “que tinha acabado por compreender que acreditar na criação de algumas formas capazes de se desenvolver por si mesmas noutras formas necessárias, é ter uma concepção bem mais elevada de Deus, do que acreditar que houvesse necessidade de novos atos de criação para preencher as lacunas causadas pela ação das leis estabelecidas”.

[...] O resultado direto desta guerra da natureza que se traduz pela fome e pela morte, é, pois, o fato mais admirável que podemos conceber, a saber: a produção de animais superiores. Não há uma verdadeira grandeza nesta forma de considerar a vida, com os seus poderes diversos atribuídos primitivamente pelo Criador a um pequeno número de formas, ou mesmo a uma só? Ora, enquanto que o nosso planeta, obedecendo à lei fixa da gravitação, continua a girar na sua órbita, uma quantidade infinita de belas e admiráveis formas, saídas de um começo tão simples, não têm cessado de se desenvolver e desenvolvem-se ainda hoje!

(Charles Darwin; tradução de Joaquim Dá Mesquita Paul)


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5.6.16

Lançamento: O Príncipe

Finalmente chegou na Amazon a nossa edição de um dos maiores tratados políticos da humanidade, O Príncipe.

Se você quer entender melhor Game of Thrones, ou a Guerra das Rosas, ou ainda a Política de ontem e de hoje, não existe tratado mais essencial do que essa pequena e polêmica pérola literária de Nicolau Maquiavel. Você já pode começar a ler em poucos minutos, pelo preço de um café:

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À seguir, trazemos o prefácio da edição, por Frater Sinésio:

Há duas boas razões para se ler este livro:

Primeira. Assim você vai saber do que todos estão falando ao usarem o termo “maquiavélico”, particularmente nas análises políticas. Tal adjetivo se tornou tão comum que é muitas vezes usado fora de contexto. Isso se torna compreensível quando percebemos que muitos dos que o utilizam nunca leram esta carta escrita por um cortesão da renascença ao seu príncipe (o “magnífico Lorenzo de Medici”). Assim sendo, uma maior familiaridade com esta obra é sem dúvida necessária para a compreensão mais aprofundada do termo, que como devem saber, se refere ao sobrenome do autor – Maquiavel.
Segunda. Este livro descreve muito bem a maior parte das situações de poder. Da política as corporações, e onde quer que existam relações de controle e influência, as observações e regras maquiavélicas serão geralmente válidas.

Assim, se tudo correr bem, você também irá descobrir que Maquiavel não é tão mau quanto acabou sendo afamado na cultura popular. O que ele estava fazendo aqui foi simplesmente descrever “as regras do jogo do poder”, que já existiam muito antes dele ter nascido e ainda existirão por muito tempo, quem sabe durante toda a história humana – ao menos enquanto perdurar a competição e o egoísmo.

As regras maquiavélicas não são nem boas nem más em si mesmas, tudo o que elas fazem é descrever um processo. O que é bom ou mau é o uso que as pessoas que compreenderam tais regras fazem delas quando alcançam posições de poder, considerando que vivemos numa sociedade que julgará suas ações de acordo com a lei e os princípios ético-religiosos mais essenciais.

Quando esses princípios são suprimidos (como na Alemanha nazista, na “Idade das Trevas” medieval ou sob os regimes comunistas totalitários), as regras maquiavélicas vestem o seu manto demoníaco, mas isso ocorre simplesmente porque elas passam a servir os interesses demoníacos de seus “príncipes”.

Já em sociedades democráticas que são perfeitamente capazes de regular e restringir o poder de seus governantes, o pensamento contido nesta obra pode produzir excelentes resultados. Um belo exemplo foi o uso que Abraham Lincoln fez de tais regras, vencendo seus adversários políticos de forma legítima, e encerrando a escravidão em seu país.

Para apreciar devidamente as lições que podem ser tomadas desta obra, se faz necessário transportar a vivência e a linguagem medieval para nossa era moderna. Por exemplo, a forma casual com a qual Maquiavel discorre sobre a necessidade de assassinar oponentes políticos era algo que fazia todo o sentido para aqueles que desejavam alcançar o poder há 500 anos atrás. Nos dias atuais, esperamos, o termo “assassinato” poderia ser traduzido em “reduzir o poder de alguém nas decisões da empresa” e/ou “retirar aquele outro do seu cargo de ministro”.

E o que alguém ganha ao ler este livro? Ora, se trata de um mapa do caminho com reflexões e lições sobre: (1) se sobressair sobre os demais numa disputa por poder; e (2) manter e expandir seu poder sobre os demais, principalmente aqueles que desejam ocupar sua posição atual.

Esta obra fala sobre colocar a conquista de seus objetivos acima de quaisquer outras considerações, sem espaço para piedade com aqueles que se encontram na mesma competição. Muitas das máximas que encontramos na mídia e na análise política, até hoje, nasceram do livro de Maquiavel: “os fins justificam os meios”; “é melhor ser temido do que amado”; “se você vai lutar contra o príncipe, mate o príncipe” etc.

Dessa forma, se trata de uma leitura essencial para qualquer um que se encontra atualmente num meio ambiente extremamente competitivo (quiçá boa parte da humanidade), e espera prosperar de alguma forma. As regras maquiavélicas simplesmente consideram que, em todo caso, o instinto humano de todos os demais já será algo egoísta.

Certamente há muitas outras formas de prosperar e sobreviver numa competição sem recorrer a tais lições. Sobretudo na modernidade, nos países de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais elevado, temos inúmeros exemplos de empreitadas altruístas e colaborativas que têm dado muito certo, mas seria ingenuidade considerar que tais exemplos já são a regra e não a exceção. Assim sendo, esta obra continua sendo muito atual, para o bem ou para o mal.

Muitos dos políticos e diretores executivos de nosso tempo são ao menos em parte maquiavélicos. O truque é usar o poder para objetivos nobres. Assim, todos os políticos e executivos que se sobressaíram sobre os demais, vencendo eleições ou competições internas em suas empresas, se acaso contaram com a ajuda de Maquiavel, não necessariamente serão maus: tudo dependerá, no final das contas, de como eles utilizarão o poder adquirido.

Assim sendo, numa sociedade onde o poder absoluto é constantemente combatido e há certas regras e limites para o que um “príncipe” pode fazer com o seu poder, toda essa competição não será de todo mal – como numa disputa darwiniana, é esperado que aqueles que alcancem o topo sejam os que detém as melhores condições para liderar.

Se é verdade que essa obra é, portanto, uma poderosa ferramenta para galgar o poder, considere fazer uso dela com toda responsabilidade, sobretudo considerando que a maldade está muito mais no uso que os príncipes fazem do poder do que no poder em si.

O editor.


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16.5.16

Lançamento: Fausto (Clássicos eternos)

Após muita reflexão e planejamento, as Edições Textos para Reflexão decidiram que era hora de trazer para vocês os maiores clássicos da literatura mundial, pelo preço de um café!

Decidimos começar com a obra-prima de Johann Wolfgang von Goethe, Fausto. Nesta edição digital revisamos cuidadosamente a gramática da célebre e secular tradução de Antônio Feliciano de Castilho, de modo a tornar o português antigo o mais legível possível, sem no entanto interferir no contexto dos versos. Você já pode começar a ler em poucos minutos:

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À seguir, explicamos melhor do que se trata a nossa nova coleção:

Embora tenhamos escrito incontáveis obras desde o advento da escrita, há alguma arte que parece vencer o próprio fluxo do tempo, algumas histórias que se tornaram já mitologia por onde passaram, e que já foram lidas e encenadas pelas mentes de milhões e milhões de seres humanos.

A Coleção clássicos eternos reconhece a importância de trazer esta luz para ser refletida no maior número de espelhos possível, e cada um de nós é um espelho, e a luz foi criada para ser refletida.

Assim sendo, temos o compromisso de trazer edições cuidadosamente elaboradas dos grandes gênios de outrora, por um preço acessível – principalmente por se tratar de material em domínio público.

Também os tradutores são citados e lembrados. Ora, visto que nos valemos de traduções em linguagem já secular, foi necessário revisar o português, sobretudo com relação à gramática, procurando interferir o mínimo no contexto original da tradução.

Compreendemos que o português antigo pode trazer alguma complexidade no entendimento da obra, mas recomendamos que aproveitem dos recursos tecnológicos modernos dos e-readers ou aplicativos de leitura de e-books, que já possuem dicionários embutidos, assim geralmente basta clicar na palavra desconhecida para aprender o que significa. Se tudo correr bem, além da leitura de uma obra grandiosa, ainda sairão desta aventura sabendo um pouco mais acerca do seu próprio idioma.

Nalguns casos, onde a gramática pode ser aplicada tanto no português de Portugal quanto no do Brasil, preferimos manter o original – por exemplo, entre “génio” e “gênio”, optamos por manter a grafia original, isto é, “génio”.

E agora, fiquem com mais um clássico da literatura humana...

O editor.

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7.4.16

Que tal ler nossos clássicos digitais, de graça?

Em época de crise e de vacas magras, há que se pensar em economia, mas há também que se pensar em continuar lendo e aprendendo... Mas o ideal seria poder ler e aprender com economia, não? E que tal ler e aprender de graça?

Para incentivar leitores a experimentar o seu aplicativo, a Amazon está oferecendo um crédito de R$ 10,00 em eBooks para quem baixar o aplicativo pela primeira vez até o dia 30 de abril. O Kindle está disponível gratuitamente para download nas lojas Google Play, Apple Store e Windows, e com ele é possível ler livros digitais em qualquer dispositivo, incluindo celulares e tablets, Android e iOS.

E agora que você já baixou o Kindle pela primeira vez, criou sua conta na Amazon e ganhou o crédito de R$ 10,00 para compra de eBooks, que tal escolher até cinco dos nossos clássicos digitais, cada um ao custo módico de R$ 1,99? Nós preparamos algumas listas temáticas de leitura para ajudar na sua escolha:

Bestsellers
» O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
» A Arte da Guerra, de Sun Tzu
» Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche
» Navegar é preciso, de Fernando Pessoa
» O manual para a vida, de Epicteto

Filosofia
» Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche
» O manual para a vida, de Epicteto
» A Arte da Guerra, de Sun Tzu
» Tao Te Ching, de Lao Tse
» A Vontade de Crer, de William James

Espiritualidade
» Bhagavad Gita
» Tao Te Ching, de Lao Tse
» Os Evangelhos de Tomé e Maria
» A Voz do Silêncio, de Helena Blavatsky
» O Profeta, de Khalil Gibran

Poesia mística
» Navegar é preciso, de Fernando Pessoa
» Gitanjali, de Rabindranath Tagore
» O Profeta, de Khalil Gibran
» 49 noites antes da Colheita (Sefirat ha Ômer), de Rafael Arrais
» Tudo será Céu, de Rafael Arrais

Finalmente, você ainda poderá baixar nossos eBooks gratuitos, em formato para Kindle (mobi) ou outros leitores, como o Kobo (ePub). Boa leitura!

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Crédito da imagem: Amazon

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18.9.15

Lançamento: Bhagavad Gita

Após quase 9 meses de intenso trabalho de tradução, as Edições Textos para Reflexão têm o prazer de lançar um dos maiores livros sagrados do mundo, o Bhagavad Gita, a sublime canção da Grande Índia.

Para tal empreitada, Rafael Arrais usou como base a tradução clássica do sânscrito para o inglês de Sir Edwin Arnold (1885), conforme compilada pela American Gita Society. E, com a experiência de já haver traduzido o Tao Te Ching da versão inglesa de James Legge, além do Gitanjali de Tagore e do Profeta de Gibran, ambos diretamente do original em inglês, procurou trazer um resultado final ao mesmo tempo profundo e acessível, numa linguagem moderna, porém ancorada na essência ancestral da sabedoria hindu.

A edição digital e a impressa vêm rechadas de notas, incluindo muitas citações de célebres pensadores ocidentais simpáticos ao Gita, como Joseph Campbell e Arthur Schopenhauer. O nosso intuito é trazer a filosofia perene da antiga Índia para os dias atuais, pois que apesar de a guerra dos Kurus e dos Pândavas ter sido narrada há milênios, ela não deixa de estar sendo lutada ainda hoje, ainda neste momento, na alma de todos nós.

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À seguir, um trecho do Capítulo II - O conhecimento transcendental:

Os ensinamentos de Krishna começam pelo verdadeiro conhecimento da alma e do corpo

Lorde Krishna disse: Você se entristece por aqueles que não são dignos da sua tristeza, mas ainda assim suas palavras trazem grãos de verdade. Elas exprimem a sabedoria do mundo exterior, mas são ainda insuficientes para satisfazer à mente interior. Os sábios, em realidade, não se deixam abater nem pelos vivos nem pelos mortos. (2.11)

Jamais houve um tempo em que todos esses reis, você, ou eu, não existíssemos; tampouco haverá algum tempo futuro em que deixaremos de existir. [1] (2.12)

Assim como a alma adquire um corpo de criança, um corpo de jovem e um corpo de velho durante sua vida, da mesma forma, a alma adquire outro corpo após a morte. Isto é muito claro para os sábios. (2.13)

Ao contato dos sentidos, as formas e objetos dão vasão a sensações de frio e calor, de dores e prazeres. Todas essas sensações são transitórias e impermanentes. Dessa forma, devemos aprender a suportá-las sem nos apegarmos a elas, ó Arjuna. (2.14)

Pois uma pessoa verdadeiramente calma e tranquila, que não se deixa afligir ou apegar por essas formas e objetos, e permanece sempre estável em meio às dores e aos prazeres, se torna apta a trilhar o caminho para a imortalidade. (2.15)

O Espírito é eterno, o corpo é transitório

O Espírito invisível (atma) é eterno, e o corpo visível é transitório. A realidade da relação entre ambos é certamente conhecida pelos sábios, que investigaram a si mesmos por um longo tempo, e finalmente chegaram a verdade sobre sua própria essência. (2.16)

O espírito que preenche todo este universo é indestrutível. Ele está em tudo e abarca a todas as coisas. Ninguém pode destruir o que é imperecível. (2.17)

Mas os corpos que abrigam momentaneamente o Espírito eterno, imutável e incompreensível, esses são perecíveis, ó Arjuna. Dessa forma, se prepara para a batalha! (2.18)

Aquele que pensa que o Espírito é um assassino se comporta como aquele que pensa que o Espírito pode ser assassinado, e ambos vivem na ignorância, pois o Espírito nem mata e nem pode ser morto. (2.19)

O Espírito jamais nasce ou, nalgum tempo, morre. Ele não vem à existência, nem cessa de existir. Ele é incriado, eterno, permanente e primordial. Quando o corpo perece ou é destruído, o Espírito perdura. (2.20)

Ó Arjuna, como pode uma pessoa que sabe que o Espírito é indestrutível, eterno, incriado e imutável, matar alguém, ou fazer com que qualquer um seja morto? (2.21)

A morte e a transmigração da alma

Assim como alguém veste uma nova roupa após se livrar da antiga, da mesma forma, a entidade viva da alma individual adquire novos corpos após descartar os antigos. [2] (2.22)

As armas não perfuram tal Espírito, o fogo não o queima, a água não o umedece, e o vento não o deixa seco. O Espírito não pode ser perfurado, queimado, umedecido ou ressecado. Ele é eterno e preenche a tudo o que há. Ele é imutável, permanente, o ancestral de todos. (2.23-24)

Nós sabemos que ele é inefável, incompreensível, incognoscível, que mora além das palavras e do intelecto. E, se você também sabe disso, não deve se deixar afetar pela tentação de tentar conceber o inconcebível. [3] (2.25)

E ainda, ó Arjuna, que você creia que a alma nasce e morre junto com o corpo, isso ainda não seria motivo para tamanha tristeza. Pois que a morte é algo certo para aquele que nasce, e o nascimento necessariamente antecede aquele que vive. Dessa forma, um deriva do outro, e ambos são inevitáveis. Ó príncipe, não se lamente em demasia sobre o que é inevitável. (2.26-27)

Todos os seres são imanifestos, invisíveis aos olhos do corpo, antes do nascimento e após a morte. O período de sua manifestação física é transitório, passageiro, e compreende tão somente uma única vida. Ante tal fato, o que há para nos afligir? (2.28)

***

[1] Conforme dizia Joseph Campbell, grande estudioso de mitologia do século XX: “O mito é algo que não existe, mas que existe sempre”.

[2] Conforme bem notou Arthur Schopenhauer, célebre filósofo alemão, em Da morte, metafísica do amor, do sofrimento do mundo (Ed. Martin Claret):

“Sobre a universalidade da crença na metempsicose [reencarnação], Obry nos diz, com razão, no seu excelente livro Du Nirvana indien, p.13: “Esta velha crença fez a volta ao mundo, e estava de tal modo expandida na alta antiguidade, que um douto anglicano a julgou sem pai, sem mãe, e sem genealogia”. Já ensinada nos Vedas, como em todos os livros sagrados da Índia, a metempsicose é, como se sabe, o núcleo do bramanismo e do budismo, e reina até hoje por toda a Ásia não conquistada pelo islamismo, isto é, em mais da metade do gênero humano, como a crença mais sólida, e como influência prática de uma força inimaginável. Ela foi também um elemento de fé dos egípcios (Heródoto, II, 123); Orfeu, Pitágoras e Platão a adotaram com entusiasmo, e os pitagóricos, sobretudo, a mantiveram firmemente. [...] Ela era também o fundamento das religiões dos druidas. [...] Mesmo entre os americanos (índios) e povos negros, a até mesmo entre os australianos (aborígenes), encontram-se traços dela.”

[3] Realmente se trata de um assunto complexo. Eu gosto muito da forma como John Galsworthy, escritor britânico, o resumiu: “As palavras são cascas de sentimento”. Mas, no que se refere a análise da transcendência dos mitos, talvez ninguém seja maior autoridade no tema, no Ocidente, do que Joseph Campbell. Permita-me citar uma de suas respostas a Bill Moyers em O Poder do Mito, onde ele falava sobre “a eternidade”:

“A fonte da vida temporal é a eternidade. A eternidade se derrama a si mesma no mundo. É a ideia mítica, básica, do deus que se torna múltiplo em nós. Na Índia, o deus que repousa em mim é chamado o “habitante” do corpo. Identificar-se com esse aspecto divino, imortal, de você mesmo é identificar-se com a divindade.
Ora, a eternidade está além de todas as categorias de pensamento. Este é um ponto fundamental em todas as grandes religiões do Oriente. Nosso desejo é pensar a respeito de Deus. Deus é um pensamento. Deus é um nome. Deus é uma ideia. Mas sua referência é a algo que transcende a todo pensamento. O supremo mistério de ser está além de todas as categorias de pensamento.
[...] As melhores coisas não podem ser ditas porque transcendem o pensamento. As coisas um pouco piores são mal compreendidas, porque são os pensamentos que supostamente se referem àquilo a respeito de que não se pode pensar. Logo abaixo dessas, vêm as coisas das quais falamos. E o mito é aquele campo de referência àquilo que é absolutamente transcendente.”

Em suma, o que todos esses sábios estão tentando nos dizer é que não basta ler o manual de natação, é preciso mergulhar, pois o mergulho não pode ser descrito em palavras. Há um “deus” que é tão somente uma palavra, e há a experiência de Deus. Só quem passa por tal experiência, sabe...


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2.2.15

Um Café, Um Livro

Oi pessoal, estou viajando a trabalho e sem muito tempo para atualizar o blog, mas recentemente descobri que um de nossos leitores criou uma lista de e-mail onde são divulgados "uma variedade de eBooks custando menos que um cafezinho na padoca da esquina"... Como vocês devem ter imaginado, muitas das nossas Edições Textos para Reflexão vêm sendo divulgadas por lá também.

Dessa forma, para quem tiver interesse em participar, basta acessar o site Um Café, Um Livro (umcafeumlivro.com), digitar seu e-mail no campo e clicar no botão "eu quero!".

Boa leitura!


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14.6.14

Lançamento: 49 noites antes da Colheita

As Edições Textos para Reflexão retornam com os 50 poemas que foram o fruto da minha Contagem do Ômer neste ano de 2014 (*).

A Contagem do Ômer, ou Sefirat ha Ômer, é o nome dado a contagem dos 49 dias ou sete semanas entre Pessach e Shavuot, feriados judaicos correspondentes, respectivamente, a Páscoa e ao dia de Pentecostes. Através da Cabala, a Contagem deixou de ser somente uma tradição agrícola, ou histórica, para se tornar um dos maiores rituais de meditação e autoconhecimento do mundo, praticado simultaneamente por milhares de pessoas em todo o globo, todos os anos.

Durante 49 noites, enquanto este lado do globo virava suas costas ao sol, eu meditei sobre o microcosmo e o macrocosmo, sobre a lua e as estrelas, sobre a noite escura e a manhã vindoura, sobre a solidão e a tristeza, e sobre o amor que é eterno... Tais meditações se transformaram em poemas, e são estes poemas que compõem esta edição.

Um livro digital já disponível para o Amazon Kindle, e também na versão impressa:

Comprar eBook (Kindle) Comprar a versão impressa

***

Quem frequenta o blog deve se lembrar que alguns desses poemas já foram publicados por aqui. Para facilitar, estou trazendo os links para todos eles novamente abaixo:

» [Chesed shebe Chesed]

» [Hod shebe Chesed]

» [Chesed shebe Geburah]

» [Netzach shebe Geburah]

» [Geburah shebe Tiferet]

» [Hod shebe Tiferet]

» [Netzach shebe Netzach] (vídeo do Fabio Almeida sobre este poema)

» [Malkuth shebe Netzach]

» [Hod shebe Hod, ou Lag Baômer]

» [Tiferet shebe Yesod]

» [Yesod shebe Yesod]

***

(*) Gostaria de agradecer enormemente ao Marcelo Del Debbio por haver me encaminhado, indiretamente, para esta trilha. Ao Rodrigo Amorim Grola por ter me dado permissão de utilizar sua magistral ilustração da Ávore da Vida no livro. Ao pessoal do Conversa entre Adeptus pelo capricho nos vídeos com as instruções para as meditações de cada dia. E, especialmente, ao Fabio Almeida, por ter preenchido com música alguns dos poemas que consegui "roubar" de Kether. Claro que devo estender o agradecimento a todos os leitores, atuais e futuros, pois este livro agora é de todos vocês - eu já fiz a minha parte!


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18.4.14

Um ano de Zaratustra!

Em pouco mais de um ano à venda, nossa edição digital de Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche, acaba de completar 365 dias na lista dos 100 mais vendidos da Amazon Brasil!

Para comemorar este feito do bigodudo alemão, estaremos disponibilizando em download gratuito outras três obras das Edições Textos para Reflexão. Ad infinitum e Rumi - A dança da alma poderão ser baixados de graça até a madrugada do dia 20 para o dia 21, enquanto que Tudo será Céu ainda estará gratuito até a madrugada do dia 22 para o 23!

Clique nas capas dos livros para saber mais sobre eles na loja da Amazon (*). Lembrando que nosso bestseller do pensador alemão continua sendo vendido a módicos R$1,99:

(*) Obs.: Você não precisa ter um Kindle para ler nossos livros digitais. Basta baixar qualquer um dos aplicativos gratuitos do Kindle para que os possa ler em seu tablet, smartphone, laptop ou desktop.


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2.1.14

O ano em que virei editora

É claro que todo escritor sonha em publicar um livro, mas até cerca de um ano atrás tudo o que havia conseguido publicar era um livro com tiragem quase “caseira”, vendido sobretudo entre familiares e amigos, e alguns outros livros de RPG, contos, poemas e artigos antigos deste blog, todos disponibilizados diretamente como PDF para download.

Há cerca de um ano atrás, porém, eu estava angustiado e esperançoso ao mesmo tempo. Angustiado por ter de finalizar meu livro, Ad infinitum, que vinha sendo escrito há cerca de 3 anos, e esperançoso por crer que, após seu lançamento, eu finalmente me veria livre daquele fardo, e poderia me dedicar somente ao blog e aos videogames novamente.

É claro que todo escritor fica feliz e aliviado ao ter seu livro publicado, mas até cerca de um ano atrás eu mal poderia imaginar que, após Ad infinitum, ainda viriam 11 outros livros, a grande maioria de outros autores.

Foi “quase sem querer” que tudo ocorreu... Após haver autopublicado meu livro em formato impresso, através do Clube de Autores, estava eu folheando uma revista na banca de jornais próxima da minha casa quando soube, através de uma matéria de meia página, que a Amazon não somente havia recém chegado no Brasil com o seu leitor de livros digitais, o Kindle, como já era possível a autopublicação de ebooks através do serviço Kindle Direct Publishing.

Como já era cliente da Amazon há muitos anos (inclusive tendo ganhado boas comissões através da venda de livros de RPG através de um site antigo que mantive no final da década de 90), fui testar o serviço... A princípio, bastava enviar um arquivo Word relativamente bem diagramado, uma capa e uma descrição, escolher o preço final de venda, que a Amazon publicava e vendia a obra. O autor ainda ficaria com entre 35% a 70% do valor das vendas – algo imensamente superior aos 5% a 10% do mercado impresso.

Na prática, não era assim tão simples. O arquivo Word do Ad infinitum que enviei não resultou em um ebook que me agradasse, e como sou “relativamente perfeccionista”, precisei estudar um pouco melhor acerca da arte da diagramação de livros digitais... Para minha surpresa, descobri que em seu estado mais essencial, um ebook nada mais é do que html, a mesma linguagem de código que monta as páginas da web, e a mesma linguagem com a qual trabalho profissionalmente há quase uma década!

Apesar de não ter sido algo tão trivial, consegui aprender a montar um epub, que é o formato de livro digital mais utilizado no mundo todo. Com isso, o caminho estava aberto para autopublicação não somente na Amazon, mas também na Kobo, que também havia recém-chegado ao país, em parceria com a Livraria Cultura [1].

Até aqui, tudo certo: ter um livro disponível em impresso e em versão digital, sendo vendido na grande Amazon, já era uma conquista e tanto para quem, até poucos meses antes, não sabia nem se ou quando exatamente conseguiria finalizar o tal livro... Mas isto ainda era somente o início – foi navegando pelas listas de mais vendidos da Amazon brasileira que me deparei com algo bastante intrigante...

Eu não pude deixar de notar que havia diversos livros digitais de Fernando Pessoa com preços muito diferentes uns dos outros. Enquanto muitos eram vendidos a cerca de 15 ou 20 reais, o que seria um preço comum para ebooks, outros custavam 5 reais ou até menos do que isso, e não pareciam dever em nada, na qualidade da capa e da diagramação, aos demais.

Quando fui me informar melhor sobre essa disparidade de preços, acabei compreendendo o que se passava. Ocorre que Fernando Pessoa morreu em 1935, de modo que em 01/01/2006, 70 anos após sua partida, toda a sua obra entrou definitivamente em domínio público no mundo todo. Isto significa, dentre outras coisas, que qualquer um pode editar seus livros como bem entender, sem dever nenhum centavo de direitos autorais aos antigos detentores de seus direitos de publicação.

Ora, isto também significava que eu mesmo poderia publicar minha própria antologia da poesia e da prosa do grande poeta português. E foi exatamente o que fiz a seguir, daí nascendo o ebook Navegar é preciso, que até hoje é muito bem sucedido em vendas, principalmente na Amazon.

Mal podia suspeitar, há um ano atrás, que me tornaria não somente um escritor publicado na Amazon, mas um editor, um tradutor e, porque não, uma editora!

Após Pessoa, que não necessitava de tradução alguma, fui atrás dos melhores autores e livros que li na vida, buscando a viabilidade da autopublicação dos mesmos. Com isso, logo na sequência encontrei uma rara tradução de Friedrich Nietzsche que já se encontrava em domínio público e, com a ajuda de meu amigo Frater Sinésio, que ajudou na revisão do texto, publiquei o célebre Assim falou Zaratustra pelo preço de um café expresso (ou menos) na Amazon Brasil. Até hoje, é de longe o ebook mais vendido das Edições Textos para Reflexão, sendo que raramente sai da lista dos 100 mais vendidos.

Depois, entre traduções e edições, algumas com a estimada ajuda de Sinésio, ainda consegui publicar mais 9 livros digitais durante o ano, atingindo uma média totalmente inesperada de 1 livro por mês. Embora nenhum deles tenha atingido o sucesso de vendas dos dois anteriores, há muitos que também se destacaram.

Porém, independente das vendas, que são realmente muito bem vindas, o que mais importa é que isto se tornou também um hobby extremamente prazeroso. Claro que também dá um bom trabalho (neste ano joguei muito pouco videogame), mas é um trabalho bastante recompensador – não exatamente pelos reais que caem na minha conta de banco, mas pela possibilidade de iniciar, quem sabe, algumas centenas de pessoas, em sua maioria jovens, em alguns dos maiores textos da humanidade...

Eu não estou brincando, eu realmente fui muito cuidadoso na seleção dos livros. “Cuidadoso” talvez não fosse a melhor palavra... Intuitivo, quem sabe? É que não fiz grandes planos de publicação, e fui publicando meio que conforme o coração mandava. Por exemplo, eu certamente não publicaria Nietzsche antes de Lao Tse ou Gibran, se fosse seguir minha lista de preferências, mas o fato de haver publicado Nietzsche antes dos demais foi de vital importância para o estabelecimento das vendas dos livros que vieram após, já que o livro de Nietzsche passou a anunciar a editora e, consequentemente, os demais lançamentos.

Outra questão interessante e não planejada (pelo menos, conscientemente) é a relação que existe entre os livros e seus autores. Já havia um conto em Navegar é preciso em que Pessoa mencionava Epicuro, que por sua vez também já fora alvo das críticas apaixonadas do grande filósofo alemão. Também há autores que destacam a proximidade de algumas ideias de Pessoa com as de Nietzsche que, por sua vez, foi um dos influenciadores de Khalil Gibran. A Arte da Guerra é um clássico que, sem dúvida, deve muito de suas ideias a outro ainda mais antigo, o Tao Te Ching, que por sua vez ainda influenciou parte dos conceitos de A Voz do Silêncio, de H. P. Blavatsky – que também foi traduzido para o português por ninguém menos que... Fernando Pessoa!

Mesmo Jalal ud-Din Rumi bebe da mesma fonte do gnosticismo presente nos Evangelhos de Tomé e Maria, que por sua vez também ecoa no Profeta de Gibran... Enfim, são mesmo muitas relações inesperadas entre estes poucos livros.

Portanto, eu me despeço do ano que passou com o mesmo espírito e o mesmo entusiasmo com que abraço o ano que chega... Sem tanto planejar mas, antes de mais nada, agradecer. Agradecer imensamente pela oportunidade de melhorar um pouco toda esta vizinhança, não exatamente através das minhas palavras, mas através dos dizeres de tantos gigantes de outrora. Pensamentos que já me ajudaram muito nesta vida, mas que nunca poderia imaginar que seriam publicados por mim.

É, sem dúvida, uma honra (não mais um fardo)... Espero que gostem do percurso, e que seus dias, e nossos dias, permaneçam sendo sempre este Ano Novo perene, elaborado e sustentado por tantas reflexões vindas do Alto.

02/01/2014

Rafael Arrais (autor/tradutor/editor)

***

[1] O serviço de autopublicação da Kobo se chama Kobo Writing Life (KWL). Além dele e do Kindle Direct Publishing (KDP), ainda publico hoje através do Publique-se da Livraria Saraiva. Infelizmente os serviços de autopublicação da Google e da Apple ainda não estão disponíveis para alguém residente no Brasil. Para maiores detalhes acerca do mundo da autopublicação, recomendo o site Revolução eBook.

» Veja também O ano em que virei tradutor profissional

Crédito da imagem: Joel "Boy Wonder" Robinson

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