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1.7.17

Lançamento: A Origem das Espécies

As Edições Textos para Reflexão trazem a você a obra que mudou o mundo, A Origem das Espécies de Charles Darwin, exclusivamente para o seu Amazon Kindle.

Esta obra, apesar de essencialmente acadêmica, mudou para sempre a nossa concepção da vida e da natureza, e serve até hoje de alicerce primordial para ramos científicos como a biologia e a genética, que desabariam sem a teoria da seleção natural. Você já pode começar a ler em poucos minutos, pelo preço de um café:

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À seguir, trazemos alguns trechos selecionados de nossa edição digital:

[Cap. 6]

É certamente verdadeiro que se veem raramente aparecer num indivíduo novos órgãos que parecem ter sido criados com um fim especial; é mesmo o que demonstra o velho axioma de história natural de que se tem exagerado um pouco a significação: Natura non facit saltum [a natureza não dá saltos].

A maior parte dos naturalistas experimentados admitem a verdade deste adágio; ou, para empregar as expressões de Mine Edwards, a natureza é pródiga em variedades, mas avara em inovações. Para que haverá, na hipótese das criações, tantas variedades e tão poucas novidades reais? Por que é que todas as partes, todos os órgãos de tantos seres independentes, criadas, como se supõe, separadamente para ocupar um lugar distinto na natureza, estiveram tão ordinariamente ligadas umas às outras por uma série de gradações? Por que não teria passado a natureza simultaneamente de uma conformação para outra? A teoria da seleção natural faz-nos compreender claramente porque não sucede assim; a seleção natural, com efeito, atua apenas aproveitando leves variações sucessivas, não pode pois jamais dar saltos bruscos e consideráveis, só pode avançar por graus insignificantes, lentos e seguros.

[Cap. 15]

A disposição semelhante dos ossos na mão humana, na asa do morcego, na barbatana do golfinho e na perna do cavalo; o mesmo número de vértebras no pescoço da girafa e no do elefante; todos estes fatos e um número infinito de outros semelhantes explicam-se facilmente pela teoria da descendência com modificações sucessivas, lentas e ligeiras. A semelhança de tipo entre a asa e a perna do morcego, ainda que destinadas a usos tão diversos; entre as maxilas e as patas do escaravelho; entre as pétalas, os estames e pistilos de uma flor, explica-se igualmente em grande escala pela teoria da modificação gradual das partes e dos órgãos que, num antepassado afastado de cada uma dessas classes, eram primitivamente semelhantes. Vemos claramente, segundo o princípio de que as variações sucessivas não sobrevêm sempre numa idade precoce e apenas são hereditárias na idade correspondente, porque os embriões de mamíferos, de aves, de répteis e de peixes, são tão semelhantes entre si e tão diferentes no estado adulto. Podemos cessar de nos maravilhar de que os embriões de um mamífero de respiração aérea, ou de uma ave, tenham fendas branquiais e artérias em rede, como no peixe, que deve, por meio de guelras bem desenvolvidas, respirar o ar dissolvido na água.

[...] Não é possível supor que uma teoria falsa pudesse explicar, de maneira tão satisfatória, como o faz a teoria da seleção natural, as diversas grandes séries de fatos de que nos temos ocupado. Tem-se recentemente objetado que está nisto um falso método de raciocínio; mas é o que se emprega para apreciar os acontecimentos ordinários da vida, e os maiores sábios não têm desdenhado em o seguir. É assim que se chega à teoria ondulatória da luz; e a crença da rotação da Terra no seu eixo só recentemente encontrou o apoio de provas diretas. Não é uma objeção valiosa dizer que, no presente, a ciência não lança luz alguma sobre o problema bem mais elevado da essência ou da origem da vida. Quem pode explicar o que é a essência da atração ou da gravidade! Ninguém hoje, contudo, se recusa a admitir todas as consequências que ressaltam de um elemento desconhecido, a atração, posto que Leibnitz tivesse outrora censurado Newton de ter introduzido na ciência “propriedades ocultas e milagres”.

Não vejo razão alguma para que as opiniões desenvolvidas neste volume firam o sentimento religioso de quem quer que seja. Basta, além disso, para mostrar quanto estas espécies de impressões são passageiras, lembrar que a maior descoberta que o homem tem feito, a lei da atração universal, foi também atacada por Leibnitz, “como subversiva da religião natural, e, nestas condições, da religião revelada”. Um eclesiástico célebre escrevia-me um dia, “que tinha acabado por compreender que acreditar na criação de algumas formas capazes de se desenvolver por si mesmas noutras formas necessárias, é ter uma concepção bem mais elevada de Deus, do que acreditar que houvesse necessidade de novos atos de criação para preencher as lacunas causadas pela ação das leis estabelecidas”.

[...] O resultado direto desta guerra da natureza que se traduz pela fome e pela morte, é, pois, o fato mais admirável que podemos conceber, a saber: a produção de animais superiores. Não há uma verdadeira grandeza nesta forma de considerar a vida, com os seus poderes diversos atribuídos primitivamente pelo Criador a um pequeno número de formas, ou mesmo a uma só? Ora, enquanto que o nosso planeta, obedecendo à lei fixa da gravitação, continua a girar na sua órbita, uma quantidade infinita de belas e admiráveis formas, saídas de um começo tão simples, não têm cessado de se desenvolver e desenvolvem-se ainda hoje!

(Charles Darwin; tradução de Joaquim Dá Mesquita Paul)


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5.6.16

Lançamento: O Príncipe

Finalmente chegou na Amazon a nossa edição de um dos maiores tratados políticos da humanidade, O Príncipe.

Se você quer entender melhor Game of Thrones, ou a Guerra das Rosas, ou ainda a Política de ontem e de hoje, não existe tratado mais essencial do que essa pequena e polêmica pérola literária de Nicolau Maquiavel. Você já pode começar a ler em poucos minutos, pelo preço de um café:

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À seguir, trazemos o prefácio da edição, por Frater Sinésio:

Há duas boas razões para se ler este livro:

Primeira. Assim você vai saber do que todos estão falando ao usarem o termo “maquiavélico”, particularmente nas análises políticas. Tal adjetivo se tornou tão comum que é muitas vezes usado fora de contexto. Isso se torna compreensível quando percebemos que muitos dos que o utilizam nunca leram esta carta escrita por um cortesão da renascença ao seu príncipe (o “magnífico Lorenzo de Medici”). Assim sendo, uma maior familiaridade com esta obra é sem dúvida necessária para a compreensão mais aprofundada do termo, que como devem saber, se refere ao sobrenome do autor – Maquiavel.
Segunda. Este livro descreve muito bem a maior parte das situações de poder. Da política as corporações, e onde quer que existam relações de controle e influência, as observações e regras maquiavélicas serão geralmente válidas.

Assim, se tudo correr bem, você também irá descobrir que Maquiavel não é tão mau quanto acabou sendo afamado na cultura popular. O que ele estava fazendo aqui foi simplesmente descrever “as regras do jogo do poder”, que já existiam muito antes dele ter nascido e ainda existirão por muito tempo, quem sabe durante toda a história humana – ao menos enquanto perdurar a competição e o egoísmo.

As regras maquiavélicas não são nem boas nem más em si mesmas, tudo o que elas fazem é descrever um processo. O que é bom ou mau é o uso que as pessoas que compreenderam tais regras fazem delas quando alcançam posições de poder, considerando que vivemos numa sociedade que julgará suas ações de acordo com a lei e os princípios ético-religiosos mais essenciais.

Quando esses princípios são suprimidos (como na Alemanha nazista, na “Idade das Trevas” medieval ou sob os regimes comunistas totalitários), as regras maquiavélicas vestem o seu manto demoníaco, mas isso ocorre simplesmente porque elas passam a servir os interesses demoníacos de seus “príncipes”.

Já em sociedades democráticas que são perfeitamente capazes de regular e restringir o poder de seus governantes, o pensamento contido nesta obra pode produzir excelentes resultados. Um belo exemplo foi o uso que Abraham Lincoln fez de tais regras, vencendo seus adversários políticos de forma legítima, e encerrando a escravidão em seu país.

Para apreciar devidamente as lições que podem ser tomadas desta obra, se faz necessário transportar a vivência e a linguagem medieval para nossa era moderna. Por exemplo, a forma casual com a qual Maquiavel discorre sobre a necessidade de assassinar oponentes políticos era algo que fazia todo o sentido para aqueles que desejavam alcançar o poder há 500 anos atrás. Nos dias atuais, esperamos, o termo “assassinato” poderia ser traduzido em “reduzir o poder de alguém nas decisões da empresa” e/ou “retirar aquele outro do seu cargo de ministro”.

E o que alguém ganha ao ler este livro? Ora, se trata de um mapa do caminho com reflexões e lições sobre: (1) se sobressair sobre os demais numa disputa por poder; e (2) manter e expandir seu poder sobre os demais, principalmente aqueles que desejam ocupar sua posição atual.

Esta obra fala sobre colocar a conquista de seus objetivos acima de quaisquer outras considerações, sem espaço para piedade com aqueles que se encontram na mesma competição. Muitas das máximas que encontramos na mídia e na análise política, até hoje, nasceram do livro de Maquiavel: “os fins justificam os meios”; “é melhor ser temido do que amado”; “se você vai lutar contra o príncipe, mate o príncipe” etc.

Dessa forma, se trata de uma leitura essencial para qualquer um que se encontra atualmente num meio ambiente extremamente competitivo (quiçá boa parte da humanidade), e espera prosperar de alguma forma. As regras maquiavélicas simplesmente consideram que, em todo caso, o instinto humano de todos os demais já será algo egoísta.

Certamente há muitas outras formas de prosperar e sobreviver numa competição sem recorrer a tais lições. Sobretudo na modernidade, nos países de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais elevado, temos inúmeros exemplos de empreitadas altruístas e colaborativas que têm dado muito certo, mas seria ingenuidade considerar que tais exemplos já são a regra e não a exceção. Assim sendo, esta obra continua sendo muito atual, para o bem ou para o mal.

Muitos dos políticos e diretores executivos de nosso tempo são ao menos em parte maquiavélicos. O truque é usar o poder para objetivos nobres. Assim, todos os políticos e executivos que se sobressaíram sobre os demais, vencendo eleições ou competições internas em suas empresas, se acaso contaram com a ajuda de Maquiavel, não necessariamente serão maus: tudo dependerá, no final das contas, de como eles utilizarão o poder adquirido.

Assim sendo, numa sociedade onde o poder absoluto é constantemente combatido e há certas regras e limites para o que um “príncipe” pode fazer com o seu poder, toda essa competição não será de todo mal – como numa disputa darwiniana, é esperado que aqueles que alcancem o topo sejam os que detém as melhores condições para liderar.

Se é verdade que essa obra é, portanto, uma poderosa ferramenta para galgar o poder, considere fazer uso dela com toda responsabilidade, sobretudo considerando que a maldade está muito mais no uso que os príncipes fazem do poder do que no poder em si.

O editor.


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16.5.16

Lançamento: Fausto (Clássicos eternos)

Após muita reflexão e planejamento, as Edições Textos para Reflexão decidiram que era hora de trazer para vocês os maiores clássicos da literatura mundial, pelo preço de um café!

Decidimos começar com a obra-prima de Johann Wolfgang von Goethe, Fausto. Nesta edição digital revisamos cuidadosamente a gramática da célebre e secular tradução de Antônio Feliciano de Castilho, de modo a tornar o português antigo o mais legível possível, sem no entanto interferir no contexto dos versos. Você já pode começar a ler em poucos minutos:

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À seguir, explicamos melhor do que se trata a nossa nova coleção:

Embora tenhamos escrito incontáveis obras desde o advento da escrita, há alguma arte que parece vencer o próprio fluxo do tempo, algumas histórias que se tornaram já mitologia por onde passaram, e que já foram lidas e encenadas pelas mentes de milhões e milhões de seres humanos.

A Coleção clássicos eternos reconhece a importância de trazer esta luz para ser refletida no maior número de espelhos possível, e cada um de nós é um espelho, e a luz foi criada para ser refletida.

Assim sendo, temos o compromisso de trazer edições cuidadosamente elaboradas dos grandes gênios de outrora, por um preço acessível – principalmente por se tratar de material em domínio público.

Também os tradutores são citados e lembrados. Ora, visto que nos valemos de traduções em linguagem já secular, foi necessário revisar o português, sobretudo com relação à gramática, procurando interferir o mínimo no contexto original da tradução.

Compreendemos que o português antigo pode trazer alguma complexidade no entendimento da obra, mas recomendamos que aproveitem dos recursos tecnológicos modernos dos e-readers ou aplicativos de leitura de e-books, que já possuem dicionários embutidos, assim geralmente basta clicar na palavra desconhecida para aprender o que significa. Se tudo correr bem, além da leitura de uma obra grandiosa, ainda sairão desta aventura sabendo um pouco mais acerca do seu próprio idioma.

Nalguns casos, onde a gramática pode ser aplicada tanto no português de Portugal quanto no do Brasil, preferimos manter o original – por exemplo, entre “génio” e “gênio”, optamos por manter a grafia original, isto é, “génio”.

E agora, fiquem com mais um clássico da literatura humana...

O editor.

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7.4.16

Que tal ler nossos clássicos digitais, de graça?

Em época de crise e de vacas magras, há que se pensar em economia, mas há também que se pensar em continuar lendo e aprendendo... Mas o ideal seria poder ler e aprender com economia, não? E que tal ler e aprender de graça?

Para incentivar leitores a experimentar o seu aplicativo, a Amazon está oferecendo um crédito de R$ 10,00 em eBooks para quem baixar o aplicativo pela primeira vez até o dia 30 de abril. O Kindle está disponível gratuitamente para download nas lojas Google Play, Apple Store e Windows, e com ele é possível ler livros digitais em qualquer dispositivo, incluindo celulares e tablets, Android e iOS.

E agora que você já baixou o Kindle pela primeira vez, criou sua conta na Amazon e ganhou o crédito de R$ 10,00 para compra de eBooks, que tal escolher até cinco dos nossos clássicos digitais, cada um ao custo módico de R$ 1,99? Nós preparamos algumas listas temáticas de leitura para ajudar na sua escolha:

Bestsellers
» O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
» A Arte da Guerra, de Sun Tzu
» Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche
» Navegar é preciso, de Fernando Pessoa
» O manual para a vida, de Epicteto

Filosofia
» Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche
» O manual para a vida, de Epicteto
» A Arte da Guerra, de Sun Tzu
» Tao Te Ching, de Lao Tse
» A Vontade de Crer, de William James

Espiritualidade
» Bhagavad Gita
» Tao Te Ching, de Lao Tse
» Os Evangelhos de Tomé e Maria
» A Voz do Silêncio, de Helena Blavatsky
» O Profeta, de Khalil Gibran

Poesia mística
» Navegar é preciso, de Fernando Pessoa
» Gitanjali, de Rabindranath Tagore
» O Profeta, de Khalil Gibran
» 49 noites antes da Colheita (Sefirat ha Ômer), de Rafael Arrais
» Tudo será Céu, de Rafael Arrais

Finalmente, você ainda poderá baixar nossos eBooks gratuitos, em formato para Kindle (mobi) ou outros leitores, como o Kobo (ePub). Boa leitura!

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Crédito da imagem: Amazon

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18.9.15

Lançamento: Bhagavad Gita

Após quase 9 meses de intenso trabalho de tradução, as Edições Textos para Reflexão têm o prazer de lançar um dos maiores livros sagrados do mundo, o Bhagavad Gita, a sublime canção da Grande Índia.

Para tal empreitada, Rafael Arrais usou como base a tradução clássica do sânscrito para o inglês de Sir Edwin Arnold (1885), conforme compilada pela American Gita Society. E, com a experiência de já haver traduzido o Tao Te Ching da versão inglesa de James Legge, além do Gitanjali de Tagore e do Profeta de Gibran, ambos diretamente do original em inglês, procurou trazer um resultado final ao mesmo tempo profundo e acessível, numa linguagem moderna, porém ancorada na essência ancestral da sabedoria hindu.

A edição digital e a impressa vêm rechadas de notas, incluindo muitas citações de célebres pensadores ocidentais simpáticos ao Gita, como Joseph Campbell e Arthur Schopenhauer. O nosso intuito é trazer a filosofia perene da antiga Índia para os dias atuais, pois que apesar de a guerra dos Kurus e dos Pândavas ter sido narrada há milênios, ela não deixa de estar sendo lutada ainda hoje, ainda neste momento, na alma de todos nós.

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À seguir, um trecho do Capítulo II - O conhecimento transcendental:

Os ensinamentos de Krishna começam pelo verdadeiro conhecimento da alma e do corpo

Lorde Krishna disse: Você se entristece por aqueles que não são dignos da sua tristeza, mas ainda assim suas palavras trazem grãos de verdade. Elas exprimem a sabedoria do mundo exterior, mas são ainda insuficientes para satisfazer à mente interior. Os sábios, em realidade, não se deixam abater nem pelos vivos nem pelos mortos. (2.11)

Jamais houve um tempo em que todos esses reis, você, ou eu, não existíssemos; tampouco haverá algum tempo futuro em que deixaremos de existir. [1] (2.12)

Assim como a alma adquire um corpo de criança, um corpo de jovem e um corpo de velho durante sua vida, da mesma forma, a alma adquire outro corpo após a morte. Isto é muito claro para os sábios. (2.13)

Ao contato dos sentidos, as formas e objetos dão vasão a sensações de frio e calor, de dores e prazeres. Todas essas sensações são transitórias e impermanentes. Dessa forma, devemos aprender a suportá-las sem nos apegarmos a elas, ó Arjuna. (2.14)

Pois uma pessoa verdadeiramente calma e tranquila, que não se deixa afligir ou apegar por essas formas e objetos, e permanece sempre estável em meio às dores e aos prazeres, se torna apta a trilhar o caminho para a imortalidade. (2.15)

O Espírito é eterno, o corpo é transitório

O Espírito invisível (atma) é eterno, e o corpo visível é transitório. A realidade da relação entre ambos é certamente conhecida pelos sábios, que investigaram a si mesmos por um longo tempo, e finalmente chegaram a verdade sobre sua própria essência. (2.16)

O espírito que preenche todo este universo é indestrutível. Ele está em tudo e abarca a todas as coisas. Ninguém pode destruir o que é imperecível. (2.17)

Mas os corpos que abrigam momentaneamente o Espírito eterno, imutável e incompreensível, esses são perecíveis, ó Arjuna. Dessa forma, se prepara para a batalha! (2.18)

Aquele que pensa que o Espírito é um assassino se comporta como aquele que pensa que o Espírito pode ser assassinado, e ambos vivem na ignorância, pois o Espírito nem mata e nem pode ser morto. (2.19)

O Espírito jamais nasce ou, nalgum tempo, morre. Ele não vem à existência, nem cessa de existir. Ele é incriado, eterno, permanente e primordial. Quando o corpo perece ou é destruído, o Espírito perdura. (2.20)

Ó Arjuna, como pode uma pessoa que sabe que o Espírito é indestrutível, eterno, incriado e imutável, matar alguém, ou fazer com que qualquer um seja morto? (2.21)

A morte e a transmigração da alma

Assim como alguém veste uma nova roupa após se livrar da antiga, da mesma forma, a entidade viva da alma individual adquire novos corpos após descartar os antigos. [2] (2.22)

As armas não perfuram tal Espírito, o fogo não o queima, a água não o umedece, e o vento não o deixa seco. O Espírito não pode ser perfurado, queimado, umedecido ou ressecado. Ele é eterno e preenche a tudo o que há. Ele é imutável, permanente, o ancestral de todos. (2.23-24)

Nós sabemos que ele é inefável, incompreensível, incognoscível, que mora além das palavras e do intelecto. E, se você também sabe disso, não deve se deixar afetar pela tentação de tentar conceber o inconcebível. [3] (2.25)

E ainda, ó Arjuna, que você creia que a alma nasce e morre junto com o corpo, isso ainda não seria motivo para tamanha tristeza. Pois que a morte é algo certo para aquele que nasce, e o nascimento necessariamente antecede aquele que vive. Dessa forma, um deriva do outro, e ambos são inevitáveis. Ó príncipe, não se lamente em demasia sobre o que é inevitável. (2.26-27)

Todos os seres são imanifestos, invisíveis aos olhos do corpo, antes do nascimento e após a morte. O período de sua manifestação física é transitório, passageiro, e compreende tão somente uma única vida. Ante tal fato, o que há para nos afligir? (2.28)

***

[1] Conforme dizia Joseph Campbell, grande estudioso de mitologia do século XX: “O mito é algo que não existe, mas que existe sempre”.

[2] Conforme bem notou Arthur Schopenhauer, célebre filósofo alemão, em Da morte, metafísica do amor, do sofrimento do mundo (Ed. Martin Claret):

“Sobre a universalidade da crença na metempsicose [reencarnação], Obry nos diz, com razão, no seu excelente livro Du Nirvana indien, p.13: “Esta velha crença fez a volta ao mundo, e estava de tal modo expandida na alta antiguidade, que um douto anglicano a julgou sem pai, sem mãe, e sem genealogia”. Já ensinada nos Vedas, como em todos os livros sagrados da Índia, a metempsicose é, como se sabe, o núcleo do bramanismo e do budismo, e reina até hoje por toda a Ásia não conquistada pelo islamismo, isto é, em mais da metade do gênero humano, como a crença mais sólida, e como influência prática de uma força inimaginável. Ela foi também um elemento de fé dos egípcios (Heródoto, II, 123); Orfeu, Pitágoras e Platão a adotaram com entusiasmo, e os pitagóricos, sobretudo, a mantiveram firmemente. [...] Ela era também o fundamento das religiões dos druidas. [...] Mesmo entre os americanos (índios) e povos negros, a até mesmo entre os australianos (aborígenes), encontram-se traços dela.”

[3] Realmente se trata de um assunto complexo. Eu gosto muito da forma como John Galsworthy, escritor britânico, o resumiu: “As palavras são cascas de sentimento”. Mas, no que se refere a análise da transcendência dos mitos, talvez ninguém seja maior autoridade no tema, no Ocidente, do que Joseph Campbell. Permita-me citar uma de suas respostas a Bill Moyers em O Poder do Mito, onde ele falava sobre “a eternidade”:

“A fonte da vida temporal é a eternidade. A eternidade se derrama a si mesma no mundo. É a ideia mítica, básica, do deus que se torna múltiplo em nós. Na Índia, o deus que repousa em mim é chamado o “habitante” do corpo. Identificar-se com esse aspecto divino, imortal, de você mesmo é identificar-se com a divindade.
Ora, a eternidade está além de todas as categorias de pensamento. Este é um ponto fundamental em todas as grandes religiões do Oriente. Nosso desejo é pensar a respeito de Deus. Deus é um pensamento. Deus é um nome. Deus é uma ideia. Mas sua referência é a algo que transcende a todo pensamento. O supremo mistério de ser está além de todas as categorias de pensamento.
[...] As melhores coisas não podem ser ditas porque transcendem o pensamento. As coisas um pouco piores são mal compreendidas, porque são os pensamentos que supostamente se referem àquilo a respeito de que não se pode pensar. Logo abaixo dessas, vêm as coisas das quais falamos. E o mito é aquele campo de referência àquilo que é absolutamente transcendente.”

Em suma, o que todos esses sábios estão tentando nos dizer é que não basta ler o manual de natação, é preciso mergulhar, pois o mergulho não pode ser descrito em palavras. Há um “deus” que é tão somente uma palavra, e há a experiência de Deus. Só quem passa por tal experiência, sabe...


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2.2.15

Um Café, Um Livro

Oi pessoal, estou viajando a trabalho e sem muito tempo para atualizar o blog, mas recentemente descobri que um de nossos leitores criou uma lista de e-mail onde são divulgados "uma variedade de eBooks custando menos que um cafezinho na padoca da esquina"... Como vocês devem ter imaginado, muitas das nossas Edições Textos para Reflexão vêm sendo divulgadas por lá também.

Dessa forma, para quem tiver interesse em participar, basta acessar o site Um Café, Um Livro (umcafeumlivro.com), digitar seu e-mail no campo e clicar no botão "eu quero!".

Boa leitura!


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14.6.14

Lançamento: 49 noites antes da Colheita

As Edições Textos para Reflexão retornam com os 50 poemas que foram o fruto da minha Contagem do Ômer neste ano de 2014 (*).

A Contagem do Ômer, ou Sefirat ha Ômer, é o nome dado a contagem dos 49 dias ou sete semanas entre Pessach e Shavuot, feriados judaicos correspondentes, respectivamente, a Páscoa e ao dia de Pentecostes. Através da Cabala, a Contagem deixou de ser somente uma tradição agrícola, ou histórica, para se tornar um dos maiores rituais de meditação e autoconhecimento do mundo, praticado simultaneamente por milhares de pessoas em todo o globo, todos os anos.

Durante 49 noites, enquanto este lado do globo virava suas costas ao sol, eu meditei sobre o microcosmo e o macrocosmo, sobre a lua e as estrelas, sobre a noite escura e a manhã vindoura, sobre a solidão e a tristeza, e sobre o amor que é eterno... Tais meditações se transformaram em poemas, e são estes poemas que compõem esta edição.

Um livro digital já disponível para o Amazon Kindle, e também na versão impressa:

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Quem frequenta o blog deve se lembrar que alguns desses poemas já foram publicados por aqui. Para facilitar, estou trazendo os links para todos eles novamente abaixo:

» [Chesed shebe Chesed]

» [Hod shebe Chesed]

» [Chesed shebe Geburah]

» [Netzach shebe Geburah]

» [Geburah shebe Tiferet]

» [Hod shebe Tiferet]

» [Netzach shebe Netzach] (vídeo do Fabio Almeida sobre este poema)

» [Malkuth shebe Netzach]

» [Hod shebe Hod, ou Lag Baômer]

» [Tiferet shebe Yesod]

» [Yesod shebe Yesod]

***

(*) Gostaria de agradecer enormemente ao Marcelo Del Debbio por haver me encaminhado, indiretamente, para esta trilha. Ao Rodrigo Amorim Grola por ter me dado permissão de utilizar sua magistral ilustração da Ávore da Vida no livro. Ao pessoal do Conversa entre Adeptus pelo capricho nos vídeos com as instruções para as meditações de cada dia. E, especialmente, ao Fabio Almeida, por ter preenchido com música alguns dos poemas que consegui "roubar" de Kether. Claro que devo estender o agradecimento a todos os leitores, atuais e futuros, pois este livro agora é de todos vocês - eu já fiz a minha parte!


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18.4.14

Um ano de Zaratustra!

Em pouco mais de um ano à venda, nossa edição digital de Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche, acaba de completar 365 dias na lista dos 100 mais vendidos da Amazon Brasil!

Para comemorar este feito do bigodudo alemão, estaremos disponibilizando em download gratuito outras três obras das Edições Textos para Reflexão. Ad infinitum e Rumi - A dança da alma poderão ser baixados de graça até a madrugada do dia 20 para o dia 21, enquanto que Tudo será Céu ainda estará gratuito até a madrugada do dia 22 para o 23!

Clique nas capas dos livros para saber mais sobre eles na loja da Amazon (*). Lembrando que nosso bestseller do pensador alemão continua sendo vendido a módicos R$1,99:

(*) Obs.: Você não precisa ter um Kindle para ler nossos livros digitais. Basta baixar qualquer um dos aplicativos gratuitos do Kindle para que os possa ler em seu tablet, smartphone, laptop ou desktop.


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2.1.14

O ano em que virei editora

É claro que todo escritor sonha em publicar um livro, mas até cerca de um ano atrás tudo o que havia conseguido publicar era um livro com tiragem quase “caseira”, vendido sobretudo entre familiares e amigos, e alguns outros livros de RPG, contos, poemas e artigos antigos deste blog, todos disponibilizados diretamente como PDF para download.

Há cerca de um ano atrás, porém, eu estava angustiado e esperançoso ao mesmo tempo. Angustiado por ter de finalizar meu livro, Ad infinitum, que vinha sendo escrito há cerca de 3 anos, e esperançoso por crer que, após seu lançamento, eu finalmente me veria livre daquele fardo, e poderia me dedicar somente ao blog e aos videogames novamente.

É claro que todo escritor fica feliz e aliviado ao ter seu livro publicado, mas até cerca de um ano atrás eu mal poderia imaginar que, após Ad infinitum, ainda viriam 11 outros livros, a grande maioria de outros autores.

Foi “quase sem querer” que tudo ocorreu... Após haver autopublicado meu livro em formato impresso, através do Clube de Autores, estava eu folheando uma revista na banca de jornais próxima da minha casa quando soube, através de uma matéria de meia página, que a Amazon não somente havia recém chegado no Brasil com o seu leitor de livros digitais, o Kindle, como já era possível a autopublicação de ebooks através do serviço Kindle Direct Publishing.

Como já era cliente da Amazon há muitos anos (inclusive tendo ganhado boas comissões através da venda de livros de RPG através de um site antigo que mantive no final da década de 90), fui testar o serviço... A princípio, bastava enviar um arquivo Word relativamente bem diagramado, uma capa e uma descrição, escolher o preço final de venda, que a Amazon publicava e vendia a obra. O autor ainda ficaria com entre 35% a 70% do valor das vendas – algo imensamente superior aos 5% a 10% do mercado impresso.

Na prática, não era assim tão simples. O arquivo Word do Ad infinitum que enviei não resultou em um ebook que me agradasse, e como sou “relativamente perfeccionista”, precisei estudar um pouco melhor acerca da arte da diagramação de livros digitais... Para minha surpresa, descobri que em seu estado mais essencial, um ebook nada mais é do que html, a mesma linguagem de código que monta as páginas da web, e a mesma linguagem com a qual trabalho profissionalmente há quase uma década!

Apesar de não ter sido algo tão trivial, consegui aprender a montar um epub, que é o formato de livro digital mais utilizado no mundo todo. Com isso, o caminho estava aberto para autopublicação não somente na Amazon, mas também na Kobo, que também havia recém-chegado ao país, em parceria com a Livraria Cultura [1].

Até aqui, tudo certo: ter um livro disponível em impresso e em versão digital, sendo vendido na grande Amazon, já era uma conquista e tanto para quem, até poucos meses antes, não sabia nem se ou quando exatamente conseguiria finalizar o tal livro... Mas isto ainda era somente o início – foi navegando pelas listas de mais vendidos da Amazon brasileira que me deparei com algo bastante intrigante...

Eu não pude deixar de notar que havia diversos livros digitais de Fernando Pessoa com preços muito diferentes uns dos outros. Enquanto muitos eram vendidos a cerca de 15 ou 20 reais, o que seria um preço comum para ebooks, outros custavam 5 reais ou até menos do que isso, e não pareciam dever em nada, na qualidade da capa e da diagramação, aos demais.

Quando fui me informar melhor sobre essa disparidade de preços, acabei compreendendo o que se passava. Ocorre que Fernando Pessoa morreu em 1935, de modo que em 2005, 70 anos após sua partida, toda a sua obra entrou definitivamente em domínio público no mundo todo. Isto significa, dentre outras coisas, que qualquer um pode editar seus livros como bem entender, sem dever nenhum centavo de direitos autorais aos antigos detentores de seus direitos de publicação.

Ora, isto também significava que eu mesmo poderia publicar minha própria antologia da poesia e da prosa do grande poeta português. E foi exatamente o que fiz a seguir, daí nascendo o ebook Navegar é preciso, que até hoje é muito bem sucedido em vendas, principalmente na Amazon.

Mal podia suspeitar, há um ano atrás, que me tornaria não somente um escritor publicado na Amazon, mas um editor, um tradutor e, porque não, uma editora!

Após Pessoa, que não necessitava de tradução alguma, fui atrás dos melhores autores e livros que li na vida, buscando a viabilidade da autopublicação dos mesmos. Com isso, logo na sequência encontrei uma rara tradução de Friedrich Nietzsche que já se encontrava em domínio público e, com a ajuda de meu amigo Frater Sinésio, que ajudou na revisão do texto, publiquei o célebre Assim falou Zaratustra pelo preço de um café expresso (ou menos) na Amazon Brasil. Até hoje, é de longe o ebook mais vendido das Edições Textos para Reflexão, sendo que raramente sai da lista dos 100 mais vendidos.

Depois, entre traduções e edições, algumas com a estimada ajuda de Sinésio, ainda consegui publicar mais 9 livros digitais durante o ano, atingindo uma média totalmente inesperada de 1 livro por mês. Embora nenhum deles tenha atingido o sucesso de vendas dos dois anteriores, há muitos que também se destacaram.

Porém, independente das vendas, que são realmente muito bem vindas, o que mais importa é que isto se tornou também um hobby extremamente prazeroso. Claro que também dá um bom trabalho (neste ano joguei muito pouco videogame), mas é um trabalho bastante recompensador – não exatamente pelos reais que caem na minha conta de banco, mas pela possibilidade de iniciar, quem sabe, algumas centenas de pessoas, em sua maioria jovens, em alguns dos maiores textos da humanidade...

Eu não estou brincando, eu realmente fui muito cuidadoso na seleção dos livros. “Cuidadoso” talvez não fosse a melhor palavra... Intuitivo, quem sabe? É que não fiz grandes planos de publicação, e fui publicando meio que conforme o coração mandava. Por exemplo, eu certamente não publicaria Nietzsche antes de Lao Tse ou Gibran, se fosse seguir minha lista de preferências, mas o fato de haver publicado Nietzsche antes dos demais foi de vital importância para o estabelecimento das vendas dos livros que vieram após, já que o livro de Nietzsche passou a anunciar a editora e, consequentemente, os demais lançamentos.

Outra questão interessante e não planejada (pelo menos, conscientemente) é a relação que existe entre os livros e seus autores. Já havia um conto em Navegar é preciso em que Pessoa mencionava Epicuro, que por sua vez também já fora alvo das críticas apaixonadas do grande filósofo alemão. Também há autores que destacam a proximidade de algumas ideias de Pessoa com as de Nietzsche que, por sua vez, foi um dos influenciadores de Khalil Gibran. A Arte da Guerra é um clássico que, sem dúvida, deve muito de suas ideias a outro ainda mais antigo, o Tao Te Ching, que por sua vez ainda influenciou parte dos conceitos de A Voz do Silêncio, de H. P. Blavatsky – que também foi traduzido para o português por ninguém menos que... Fernando Pessoa!

Mesmo Jalal ud-Din Rumi bebe da mesma fonte do gnosticismo presente nos Evangelhos de Tomé e Maria, que por sua vez também ecoa no Profeta de Gibran... Enfim, são mesmo muitas relações inesperadas entre estes poucos livros.

Portanto, eu me despeço do ano que passou com o mesmo espírito e o mesmo entusiasmo com que abraço o ano que chega... Sem tanto planejar mas, antes de mais nada, agradecer. Agradecer imensamente pela oportunidade de melhorar um pouco toda esta vizinhança, não exatamente através das minhas palavras, mas através dos dizeres de tantos gigantes de outrora. Pensamentos que já me ajudaram muito nesta vida, mas que nunca poderia imaginar que seriam publicados por mim.

É, sem dúvida, uma honra (não mais um fardo)... Espero que gostem do percurso, e que seus dias, e nossos dias, permaneçam sendo sempre este Ano Novo perene, elaborado e sustentado por tantas reflexões vindas do Alto.

02/01/2014

Rafael Arrais (autor/tradutor/editor)

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[1] O serviço de autopublicação da Kobo se chama Kobo Writing Life (KWL). Além dele e do Kindle Direct Publishing (KDP), ainda publico hoje através do Publique-se da Livraria Saraiva. Infelizmente os serviços de autopublicação da Google e da Apple ainda não estão disponíveis para alguém residente no Brasil. Para maiores detalhes acerca do mundo da autopublicação, recomendo o site Revolução eBook.

Crédito da imagem: Joel "Boy Wonder" Robinson

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26.10.13

Lançamento: Poemas de Álvaro de Campos

As Edições Textos para Reflexão voltam a publicar Fernando Pessoa, ou melhor, Álvaro de Campos – o poeta sensacionista, futurista e, por muitas vezes, metafísico. Em Poemas de Álvaro de Campos temos uma seleção dos 60 melhores poemas do heterônimo mais produtivo de Pessoa, incluindo clássicos como Tabacaria, A partida, Poema em linha reta, Lisbon revisited e Opiário.

Um livro digital já disponível para Amazon Kindle e Kobo:

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Abaixo, segue um dos poemas do livro, chamado Arco de Triunfo:

Minha imaginação é um Arco de Triunfo.
Por baixo passa roda a Vida.
Passa a vida comercial de hoje, automóveis, camiões,
Passa a vida tradicional nos trajes de alguns regimentos,
Passam todas as classes sociais, passam todas as formas de vida,
E no momento em que passam na sombra do Arco de Triunfo
Qualquer coisa de triunfal cai sobre eles,
E eles são, um momento, pequenos e grandes.
São momentaneamente um triunfo que eu os faço ser.

O Arco de Triunfo da minha Imaginação
Assenta de um lado sobre Deus e do outro
Sobre o quotidiano, sobre o mesquinho (segundo se julga),
Sobre a faina de todas as horas, as sensações de todos os momentos,
E as rápidas intenções que morrem antes do gesto.
Eu-próprio, aparte e fora da minha imaginação,
E contudo parte dela,
Sou a figura triunfal que olha do alto do arco,
Que sai do arco e lhe pertence,
E fita quem passa por baixo elevada e suspensa,
Monstruosa e bela.

Mas às grandes horas da minha sensação,
Quando em vez de retilínea, ela é circular
E gira vertiginosamente sobre si-própria,
O Arco desaparece, funde-se com a gente que passa,
E eu sinto que sou o Arco, e o espaço que ele abrange,
E toda a gente que passa,
E todo o passado da gente que passa,
E todo o futuro da gente que passa,
E toda a gente que passará
E toda a gente que já passou.
Sinto isto, e ao senti-lo sou cada vez mais
A figura esculpida a sair do alto do arco
Que fita para baixo
O universo que passa.
Mas eu próprio sou o Universo,
Eu próprio sou sujeito e objeto,
Eu próprio sou Arco e Rua,
Eu próprio cinjo e deixo passar, abranjo e liberto,
Fito de alto, e de baixo fito-me fitando,
Passo por baixo, fico em cima, quedo-me dos lados,
Totalizo e transcendo,
Realizo Deus numa arquitetura triunfal
De arco de Triunfo posto sobre o universo,
De arco de triunfo construído
Sobre todas as sensações de todos que sentem
E sobre todas as sensações de todas as sensações...

Poesia do ímpeto e do giro,
Da vertigem e da explosão,
Poesia dinâmica, sensacionista, silvando
Pela minha imaginação fora em torrentes de fogo,
Em grandes rios de chama, em grandes vulcões de lume.

(Álvaro de Campos)


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9.9.13

Lançamento: A Arte da Guerra

Neste lançamento luxuoso das Edições Textos para Reflexão, trazemos outra obra milenar da antiga China, A Arte da Guerra.

O grande paradoxo do célebre tratado militar de Sun Tzu é exatamente o de expor os horrores da guerra enquanto aconselha a melhor forma de realizá-la.

A grande questão oculta nele, emprestada do taoísmo, é o reconhecimento de que a guerra é terrível, mas também inevitável, e o seu aconselhamento se dá precisamente numa abordagem de "suavização do horror". Ora, se a guerra é inevitável, cabe ao bom governante e estrategista tratá-la com muita seriedade, e só enviar seus soldados para as batalhas que possam efetivamente ser vencidas.

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***

Abaixo, segue uma amostra com um dos capítulos do livro (a tradução é de Frater Sinésio):

Capítulo 3: Estratégia ofensiva

[1]

Sun Tzu disse: Na arte da guerra, o melhor é tomar o país do inimigo por inteiro e intacto, sem arrasá-lo, sem destruí-lo.

Por isso, é melhor recapturar um exército inteiro que destruí-lo; é melhor capturar um regimento, tropa ou companhia inteiras do que destruí-las.


[2]

Portanto, lutar e conquistar em todas as batalhas não é a excelência suprema; a excelência suprema consiste em minar a resistência do inimigo e vencê-lo sem que haja qualquer batalha.


[3]

Assim, a forma mais elevada de comando é interromper os planos inimigos; a segunda melhor é prevenir a junção das forças inimigas; a seguinte nesta ordem é atacar o exército inimigo no campo; e a pior é montar cerco a cidades muradas.


[4]

A regra é não atacar cidades muradas se isso puder ser evitado.

A preparação de proteções, abrigos móveis e dos diversos equipamentos de guerra irá demorar até três meses; e empilhar montes contra os muros demorará outros três.


[5]

O general, incapaz de controlar a sua raiva, lançará os homens para o assalto como um enxame de formigas, como resultado um terço dos seus homens serão abatidos, enquanto o interior da cidade permanecerá intocado.

Tais são os efeitos desastrosos de um cerco.


[6]

O líder habilidoso domina as tropas inimigas sem nenhuma batalha; captura as suas cidades sem lhes pôr em cerco; derrota o seu reino sem operações de campo prolongadas.


[7]

Com as suas forças intactas ele disputará o domínio do Império, e assim, sem perder um único homem, o seu triunfo será completo.

Esta é a maneira de se atacar através da estratégia.


[8]

É regra na guerra, se as nossas forças são dez e as do inimigo um, rodeá-lo; se as nossas são cinco e as do inimigo um, atacá-lo; se formos duas vezes mais numerosos, dividir o nosso exército em duas frentes de ataque.


[9]

Se o inimigo nos igualar no campo, podemos entrar em batalha, mas se formos ligeiramente inferiores em número, o ideal é evitar o conflito em campo aberto.

E se formos muito inferiores em todos os sentidos, a melhor estratégia é a fuga.


[10]

Assim, apesar de uma luta obstinada poder ser realizada por uma pequena força, no fim ela será capturada por uma força maior.


[11]

O general é um bastião do Estado; se o bastião for completo em todos os pontos, o Estado será forte; se o bastião for defeituoso, o Estado será fraco.


[12]

Há três maneiras de um líder trazer má sorte sobre o seu exército:

Comandar o exército a avançar ou recuar, ignorando que ele não pode obedecer. A isto chamamos “fazer mancar o exército”.

Tentar governar um exército da mesma forma que se administra um reino, ignorando as duras condições em que se encontra um exército em campanha. Isto causa revolta nos soldados.

Empregando os seus oficiais sem avaliar suas capacidades, ignorando o princípio militar da adaptação às circunstâncias. Isto mina a confiança dos soldados.


[13]

Dessa forma, quando o exército está inseguro e desconfiado, é certo que outros problemas virão de outros príncipes feudais.

Isto é simplesmente trazer a anarquia ao exército, atirando a vitória para longe.


[14]

Assim sabemos que há cinco pontos essenciais para a vitória:

Será vitorioso aquele que sabe quando lutar e quando não lutar.

Será vitorioso aquele que sabe lidar com forças superiores e inferiores.

Será vitorioso aquele cujo exército seja animado pelo mesmo espírito em toda a sua hierarquia.

Será vitorioso aquele que, protegendo-se, aguarda para atacar um inimigo desprotegido.

Será vitorioso aquele que tem capacidade militar e não sofre interferência do seu soberano.


[15]

Daí o ditado: “Se conhece o inimigo e conhece a si próprio, não precisará temer pelo resultado de uma centena de batalhas.

Se conhece a si mesmo, mas não ao inimigo, para cada vitória sofrerá uma derrota.

Se não conhece o inimigo nem conhece a si próprio, sucumbirá em todas as batalhas”.


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20.8.13

Lançamento: A Voz do Silêncio

Em mais um lançamento das Edições Textos para Reflexão, trazemos uma das obras-primas de Helena Blavatsky, A Voz do Silêncio.

Blavatsky escreveu esta obra de memória nos últimos anos de uma vida quase mitológica, totalmente dedicada a divulgação da luz da antiga sabedoria do Oriente. Esta edição traz um grande livro de uma grande autora, traduzido para nosso idioma por um dos homens que mais o dominaram ao longo de sua história, ninguém menos que Fernando Pessoa: 

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Abaixo, segue um trecho da introdução do livro:

Carta de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro

Lisboa, 6 de Dezembro de 1915

Meu querido Sá-Carneiro:

Como lhe escrevo esta carta, antes de tudo, por ter a necessidade psíquica absoluta de lhe escrever, Você desculpará que eu deixe para o fim a resposta à sua carta e postal hoje recebidos, e entre imediatamente naquilo que ficará o assunto desta carta.
Estou outra vez presa de todas as crises imagináveis, mas agora o assalto é total. Numa coincidência trágica, desabaram sobre mim crises de várias ordens. Estou psiquicamente cercado.
Renasceu a minha crise intelectual, aquela de que lhe falei mas agora renasceu mais complicada, porque, à parte ter renascido nas condições antigas, novos fatores vieram emaranhá-la de todo. Estou por isso num desvairamento e numa angústia intelectuais que você mal imagina. Não estou senhor da lucidez suficiente para lhe contar as coisas. Mas, como tenho necessidade de lhes contar, irei explicando conforme posso.
A primeira parte da crise intelectual, já você sabe o que é; a que apareceu agora deriva da circunstância de eu ter tomado conhecimento com as doutrinas teosóficas. O modo como as conheci foi, como você sabe, banalíssimo. Tive de traduzir livros teosóficos. Eu nada, absolutamente nada, conhecia do assunto. Agora, como é natural, conheço a essência do sistema. Abalou-me a um ponto que eu julgaria hoje impossível, tratando-se de qualquer sistema religioso. O carácter extraordinariamente vasto desta religião-filosofia; a noção de força, de domínio, de conhecimento superior e extra-humano que ressumam as obras teosóficas, perturbaram-me muito.
Coisa idêntica me acontecera há muito tempo com a leitura de um livro inglês sobre “Os Ritos e os Mistérios dos Rosa-Cruz”. A possibilidade de que ali, na Teosofia, esteja a verdade real me [?]. Não me julgue você a caminho da loucura; creio que não estou. Isto é uma crise grave de um espírito felizmente capaz de ter crises desta.
Ora, se você meditar que a Teosofia é um sistema ultracristão – no sentido de conter os princípios cristãos elevados a um ponto onde se fundem não sei em que além-Deus – e pensar no que há de fundamentalmente incompatível com o meu paganismo essencial, você terá o primeiro elemento grave que se acrescentou à minha crise.
Se, depois, reparar em que a Teosofia, porque admite todas as religiões, tem um carácter inteiramente parecido com o do paganismo, que admite no seu Panteão todos os deuses, você terá o segundo elemento da minha grave crise de alma. A Teosofia apavora-me pelo seu mistério e pela sua grandeza ocultista, repugna-me pelo seu humanitarismo e apostolismo (você compreende?) essenciais, atrai-me por se parecer tanto com um “paganismo transcendental” (é este o nome que eu dou ao modo de pensar a que havia chegado), repugna-me por se parecer tanto com o cristianismo, que não admito. E o horror e a atração do abismo realizados no além-alma.
Um pavor metafísico, meu querido Sá-Carneiro!

Fonte:
“Escritos Íntimos, Cartas e Páginas Autobiográficas”. Fernando Pessoa (Introduções, organização e notas de António Quadros). Publicações Europa-América, 1986.

***

Comentário
Ocorre um caso curioso no caso desta tradução de “A Voz do Silêncio”, onde o tradutor acaba se tornando mais famoso no meio literário, ao menos na “pátria da língua portuguesa”, do que a própria autora.
No entanto, embora nem todos o saibam, Fernando Pessoa traduziu diversos autores ligados a Teosofia: além da própria Helena Blavatsky, notadamente duas outras autoras – Annie Besant e Mabel Collins – e o autor C. W. Leadbeater. Em todos os casos traduções do inglês (idioma dominado por Pessoa) para o português (idem).


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28.7.13

Lançamento: Os Evangelhos de Tomé e Maria

Os evangelhos apócrifos são basicamente todos aqueles que não foram incorporados “oficialmente” ao Novo Testamento [NT]. Eles se relacionam claramente com Jesus Cristo e trazem alguns dos eventos citados no NT, muitas vezes sob outra ótica ou interpretação. A maior parte dos evangelhos apócrifos que chegaram à modernidade faz parte da Biblioteca de Nag Hammadi, um conjunto de pergaminhos antigos que foram enterrados em vasos no deserto, e só vieram a ser descobertos em 1945.

Esta edição traz dois dos textos mais profundos encontrados em Nag Hammadi: Os Evangelhos segundo Tomé e Maria Madalena. Os acompanha uma série de contos (O Mensageiro) inspirados no gnosticismo e escritos por Rafael Arrais, autor deste blog e tradutor e editor de diversos livros ligados a espiritualidade, a poesia e a filosofia.

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Abaixo, o prefácio do livro (uma cortesia de Giordano Cimadon):

Houvessem sido encontrados na forma de antigos pergaminhos escondidos no interior de velhos jarros de cerâmica enterrados nas silenciosas areias de algum deserto oriental, os contos que formam O Mensageiro seriam hoje considerados narrativas gnósticas escritas por algum místico iluminado dos primeiros tempos da era cristã.

Seu estilo se aproxima bastante daquele empregado por muitos dos antigos gnósticos quando narravam a vida do Salvador e os seus ensinamentos. Ao lado de preceitos éticos e filosóficos apresentados com grande clareza, existem verdades esotéricas veladas por uma poesia que pode ser facilmente confundida com aquela nascida da pena de um sábio persa, ou pelos diálogos que evocam a sabedoria dos enigmáticos mestres orientais.

Embora as palavras que tecem os contos tenham sido empregadas com a destreza que se espera de um escritor moderno, a sensação que nos transmitem é de que foram deliberadamente arranjadas por algum hábil criptógrafo dos tempos medievais. Símbolos e alegorias bastante significativos aguardam o momento em que serão decifrados por todo aquele que carregue em seu coração a chave da gnosis.

O personagem central de O Mensageiro é apresentado como um homem excepcional, um enviado de Deus, mas um homem que hesita, que num primeiro momento não compreende a sua missão, que considera a si mesmo um homem simples, comum como todos os outros. À exemplo dos gnósticos, ele descobre a verdade dentro de si mesmo e por seus próprios esforços, e pretende ajudar os seus semelhantes a encontrarem, eles também, a verdade, cada qual à sua própria maneira.

Este humano mensageiro possui um mestre de terras distantes, um sábio budista que viaja às terras do Oriente Médio em busca de um enviado divino. Sua mensagem sobre o Reino dos Céus é esotérica, podendo ser compreendida em diversos níveis, por cada um que a ouve, à sua maneira. Este é o caso do conto em que o mensageiro conquista a simpatia e contrai a amizade e o respeito do demônio tentador das sombras que o ameaça, e ainda o converte em um de seus mais dedicados discípulos.

Outro de seus grandes amigos foi um guerreiro que pretendia sacrificar a vida de muitos em nome de uma liberdade ilusória. Ao invés de repreender seu amigo pela disposição assassina movida por uma ignorância justificada, o mensageiro prefere ensinar a ele uma lição definitiva, oferecendo a si próprio como um sacrifício solitário, com o objetivo de garantir a todos a possibilidade de uma liberdade autêntica, que é a liberdade da alma.

Além disso, foi inspirado e levado pelos anjos dos Céus a conhecer, momentos antes de sua partida, a personagem gnóstica mais importante da era que marcou a difusão da essência de sua mensagem esotérica. Esta mulher foi escolhida para ser não só a sua mensageira e a sua divulgadora, mas também a sua discípula e sua amiga, alguém que parecia desfrutar de grande intimidade espiritual com o mensageiro.

Atrás de todas estas narrativas envolventes estão escondidas pérolas de conhecimento universal que o autor, em seus momentos de inspiração, elaborou através de sua poesia. Os esforços realizados pelo leitor que almeja a sabedoria oculta na representação heterodoxa de Jesus em O Mensageiro serão absolutamente recompensadores, e mais ainda em virtude da possibilidade de realizar este mesmo mergulho nas profundezas dos outros dois textos que o acompanham nesta edição primorosa: Os Evangelhos de Tomé e Maria.

No primeiro deles encontramos um Jesus absolutamente místico e mensageiro de ensinamentos revolucionários, os quais ensinam seus discípulos a encontrar o Reino dos Céus no fundo de suas próprias consciências, e não em algum lugar no tempo e no espaço. Este mensageiro do Evangelho de Tomé afirma que o Reino dos Céus está ao alcance de todos os seres humanos, e que estes podem alcançá-lo mediante a gnosis, a sabedoria divina, a qual é capaz de transformá-los radicalmente.

Através de suas palavras conhecemos um Jesus que não se apresenta como um intermediário entre o homem e o Reino dos Céus, mas como alguém que alcançou sua iluminação interior mediante seus próprios esforços, e que agora pretende indicar, com precisão esotérica, um caminho que levaria os demais até este mesmo estágio interior.

Esta iluminação é, portanto, uma busca, e uma busca que traz sofrimento e espanto, já que está relacionada com a descoberta íntima da natureza espiritual do homem e do universo que o cerca. Mudança de identidade e de percepção dos mundos físico e espiritual através do conhecimento que começa em si mesmo, eis aí o que propõe Jesus neste Evangelho que pode ser lido como uma mensagem espiritual bastante subversiva.

E uma mensagem como esta somente poderia ter sido concebida e entregue por um professor absolutamente libertário como era o Jesus retratado pelos gnósticos. Um professor que não se limitava à ensinar uma verdade através de uma forma única, pretendendo que ela servisse da esma maneira a todos os corações. Esta sua característica pode ser vista no Evangelho de Maria, o segundo evangelho que acompanha esta edição, onde encontramos um Jesus que ensinava a cada qual segundo sua inclinação particular para aprender, e tinha mensagens individuais que entregava a seus discípulos.

Foi exatamente o que aconteceu com Maria Madalena, sua discípula e companheira, quem recebeu do mensageiro um ensinamento particular e íntimo, que mais tarde entregou também aos demais discípulos. Entre outros motivos, este talvez tenha sido um dos que provocou a antipatia de Pedro por aquela mulher preferida entre os apóstolos.

Na ótica dos antigos gnósticos, aquele que se transformaria na pedra angular da Igreja de Cristo, segundo os evangelhos canônicos, não via com bons olhos a intimidade de Maria Madalena com o Salvador, e relutava em aceitar o papel de liderança que ela exercia naquela comunidade de primeiros cristãos.

É provável que a rivalidade de Pedro para com Maria Madalena não estivesse somente relacionada com uma disputa pelo poder. Talvez sentimentos mais corriqueiros sustentassem esta rivalidade. Pedro poderia muito bem sentir-se envergonhado ao lembrar do momento da prisão e da crucificação de seu Mestre, quando ao invés de ter seguido o exemplo de Maria Madalena e ficado junto ao Salvador em seus momentos de maior angústia, chegou até mesmo a negar tê-lo conhecido. Pode também a raiva de Pedro encontrar seu fundamento no sentimento da inveja, já que após a sua ressurreição Jesus decidiu aparecer primeiro diante de uma mulher, e não de seus discípulos homens.

Contudo, esta provável mesquinhez de Pedro não deve fechar os olhos da alma do leitor para a possibilidade de que também esta que parece ser apenas mais uma rivalidade banal entre discípulos encerre um sentido oculto que aguarda ser revelado. Pois sempre há um sentido esotérico dado pelos antigos gnósticos aos seus escritos, e este deve ser encontrado por cada um. Caso contrário, como nos avisa Tomé, fogo sairá das pedras lançadas pelos transtornados e este mesmo fogo os consumirá.

É oportuno buscar também a este sentido esotérico nos contos que formam O Mensageiro, pois tal sentido é como um espírito imortal que anima suas palavras, além de ser o fio que os enlaça com a tradição gnóstica de séculos passados. Através da estética que o caracteriza, proporcionará uma leitura agradável aos olhos da carne, mas através da essência que lhe dá vida, será alimento para toda alma que anseia pela plenitude.


Giordano Cimadon é psicólogo, escritor, professor gnóstico e coordenador das atividades da Sociedade Gnóstica Internacional (www.sgi.org.br).


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1.7.13

Ad infinitum: baixe gratuitamente a versão digital, somente hoje!

4 personagens. Um diálogo sobre o Tudo.

"Ad infinitum" poderá ser baixado gratuitamente na Amazon Brasil até o final do dia de hoje (01/07/2013), bastando somente que tenha uma conta cadastrada na Amazon (*):

Baixar o eBook na Amazon Brasil

(*) Mesmo sem um Kindle, você pode ler em tablets, laptops ou mesmo smartphones, basta baixar o aplicativo de leitura gratuito. Se puder avaliar o livro na Amazon após o ler, lhe agradeço :)

***

Comentário
Hoje o livro chegou a ficar por cerca de 2h na posição #3 entre os 100 livros mais baixados de toda a Amazon Brasil, e passou boa parte do dia na posição #4. Isto foi bem melhor do que eu esperava, então não posso deixar de agradecer a todos que baixaram e compartilharam a promoção nas redes sociais. Hoje não ganhei nenhum centavo, mas ganhei mais de uma centena de novos leitores, o que é muito mais valioso. Valeu pessoal!


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9.6.13

Lançamento: Tao Te Ching

Tao Te Ching

Nesta tradução exclusiva do Tao Te Ching a partir da tradução clássica de James Legge para o inglês, Rafael Arrais (poeta, escritor, editor e autor do blog Textos para Reflexão) usa do auxílio precioso das interpretações do ocultista britânico Aleister Crowley e do filósofo brasileiro Murillo Nunes de Azevedo para compor uma visão moderna da antiga sabedoria de Lao Tse. Não se trata de uma tradução para os que adoram ao Tao como numa religião organizada, mas antes para os que o amam e desejam seguir no Caminho Perfeito; ou ainda, para aqueles que nunca ouviram falar dele...

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***

Conforme já falamos da tradução e do prefácio, agora traremos alguns trechos do livro em si:

O conhecimento da imortalidade

Aquele que conhece os homens
possui um grande intelecto.
Aquele que conhece a si mesmo
é possuído por uma grande iluminação.

Aquele que conquista batalhas é forte.
Aquele que conquista a si mesmo é realmente poderoso.

Aquele que se satisfaz com o que tem
é rico.
Aquele que mantém firme sua ação
alcançou a Vontade.

Aquele capaz de se adaptar a todas as situações
alcançou a longevidade.
Aquele que morre e, no entanto, não perece,
alcançou a imortalidade.

***

A doença do saber ilusório

Saber, e saber que nada sabemos, é a mais alta realização.
Não saber, e achar que se sabe, é uma doença.

Por simplesmente considerarmos o mal
que este tipo de doença nos traz,
nós nos preservamos dela.
O sábio não carrega tal doença consigo,
pois ele sabe do seu mal.

***

O caminho para o Céu 

Aquele que enche um vaso até que transborde,
ao carrega-lo, espalhará a água por todo o caminho.
Aquele que afia em excesso uma faca
arruinará o seu corte.

Quando um salão está cheio de ouro e jade,
seu dono viverá na insegurança.
Quando a riqueza e o status conduzirem a arrogância,
a ruína virá sem tardar.

Quando finda a boa obra
e nosso nome começa a tornar-se célebre,
esta é a hora de nos recolhermos a obscuridade.

Este é o caminho para o Céu!

***

A antecipação das dificuldades

Aquele que segue o Caminho age
sem mesmo pensar em agir.
Conduz seu trabalho
sem ansiar pelos resultados.
Prova do fruto
sem discernir se é doce ou azedo.
Considera igualmente o grande e o pequeno,
o muito e o pouco.
Repele toda a violência
com gentileza.

O mestre do Tao antecipa as dificuldades
quando elas ainda são fáceis de se lidar;
e inicia grandes realizações
quando elas ainda são pequeninas.
Todas as grandes dificuldades no mundo
um dia foram pequenas;
e da mesma forma, todas as coisas grandiosas
tiveram um início modesto.
Dessa forma, o sábio jamais pensa em fazer algo grandioso,
e assim acaba por realizar grandes obras.

Quem promete realizar muitas coisas,
tem dificuldades em manter a palavra.
Quem costuma desconsiderar a dificuldade da empreitada
acaba por se embaraçar nela,
e torna-la ainda mais difícil do que era inicialmente.
Dessa forma, o sábio em tudo vê dificuldade,
e ao antecipar uma dificuldade
acaba por evita-la totalmente.

***

Os frutos do Tao

Aquele que planta de acordo com o Tao,
criará raízes firmes que não podem ser arrancadas;
sua colheita jamais será perdida.

Seus filhos, e os filhos de seus filhos,
uma geração após a outra,
todos devem honrar ao templo dos seus ancestrais.

Cultive o Tao em si mesmo
para que sua virtude cresça da raiz.
Cultive o Tao na família
para que essa virtude se manifeste.
Cultive o Tao na vizinhança
para que a virtude perdure.
Cultive o Tao no Estado
e a virtude se tornará abundante.
Cultive o Tao no Reino
e seus frutos saciarão a fome de todos.

Aquilo que o Caminho modifica
pode ser observado por seus frutos
na pessoa, na família, na vizinhança,
no Estado e no Reino...

Como eu conheço aos frutos do Tao?
Pelo sabor!


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9.5.13

Lançamento: Toda poesia de Alberto Caeiro

As Edições Textos para Reflexão voltam a publicar Fernando Pessoa, ou melhor, Mestre Caeiro. Em Toda poesia de Alberto Caeiro temos ao todo 3 livros – O Guardador de Rebanhos, O Pastor Amoroso e Poemas Inconjuntos –, além de diversos textos adicionais.

Um livro digital já disponível para o Amazon Kindle e o Kobo:

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***

Abaixo, segue um trecho da introdução do livro:

“A fonte da vida temporal é a eternidade. A eternidade se derrama a si mesma no mundo. É a ideia mítica, básica, do deus que se torna múltiplo em nós. Na índia, o deus que repousa em mim é chamado o habitante do corpo. Identificar-se com esse aspecto divino, imortal, de você mesmo é identificar-se com a divindade.

Ora, a eternidade está além de todas as categorias de pensamento. Este é um ponto fundamental em todas as grandes religiões do Oriente. Nosso desejo é pensar a respeito de Deus. Deus é um pensamento. Deus é um nome. Deus é uma ideia. Mas sua referência é a algo que transcende a todo pensamento. O supremo mistério de ser está além de todas as categorias de pensamento. Como disse Immanuel Kant, o filósofo alemão: a coisa em si é não coisa. Transcende a coisidade e vai além de tudo o que poderia ser pensado.

As melhores coisas não podem ser ditas porque transcendem o pensamento. As coisas um pouco piores são mal compreendidas, porque são os pensamentos que supostamente se referem àquilo a respeito de que não se pode pensar. Logo abaixo dessas, vêm as coisas das quais falamos. E o mito é aquele campo de referência àquilo que é absolutamente transcendente”.

O poder do mito (trecho), Joseph Campbell

Mestre Caeiro foi além da linguagem, e exatamente por isso, descascou a casca da metafísica, e demonstrou como toda poesia é sensação, sentimento e intuição, os frutos por detrás das cascas das palavras.

Segundo Pessoa, “a obra de Alberto Caeiro representa uma reconstrução integral do paganismo, na sua essência absoluta, tal como nem os gregos nem os romanos que viveram nele e por isso o não pensaram, o puderam fazer”.

Neopagão por excelência, mito de si mesmo, Mestre Caeiro, o único heterônimo de Pessoa que era reconhecido pelos outros heterônimos como mestre, nos traduz em seus poemas tudo aquilo que não pode ser traduzido... Isto tampouco é um paradoxo: é que se trata de uma linguagem para ser percebida pela alma, e não pelo cérebro.

De fato, “há metafísica suficiente em não pensar em nada”, ou seja, em simplesmente existir, e contemplar tudo isto que está a nossa volta. Toda a Eternidade apaixonada pela produção do tempo. Toda a Transcendência a velejar pelo horizonte. Toda a Natureza a bailar com a brisa que escora pelos ombros...

Seria inútil prosseguir nessa descrição do indescritível. Portanto, antes de lhes deixar na companhia de Caeiro, trago uma poesia ainda mais antiga e inefável, vinda da Pérsia (séc. XIII):

Além das ideias de certo e errado,
há um campo. Eu lhe encontrarei lá.

Quando a alma se deita naquela grama,
o mundo está preenchido demais para que falemos dele.
Ideias, linguagem, e mesmo a frase “cada um”
não fazem mais nenhum sentido.

Jalal ud-Din Rumi (poeta sufi)


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